Um estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que os trabalhadores por conta própria enfrentam uma jornada mais extensa que os empregados e patrões. No quarto trimestre de 2024, a média de horas trabalhadas por semana entre os autônomos foi de 45,3 horas, enquanto os empregados trabalharam 39,6 horas, e os empregadores 37,5 horas. O dado foi divulgado na última sexta-feira, 14 de fevereiro, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
A pesquisa revela, também, que os trabalhadores por conta própria são um dos grupos com maior carga horária semanal, superando os empregados e empregadores. No entanto, o rendimento médio mensal desses profissionais é inferior ao de outros grupos ocupacionais, com R$ 2.682 mensais, comparado aos R$ 3.105 dos empregados e aos R$ 8.240 dos empregadores. Essa diferença salarial evidencia o contraste entre o esforço dedicado à profissão e os retornos financeiros obtidos. A pesquisa também mostra que, apesar de dedicar mais horas ao trabalho, o grupo de trabalhadores autônomos permanece com os rendimentos mais baixos.
O perfil dos trabalhadores autônomos
O IBGE define o trabalhador por conta própria como aquele que realiza atividades econômicas sem empregados formais, seja sozinho ou com sócios. Este tipo de ocupação está em ascensão no Brasil e representa 25,1% da população ocupada. Ao lado de empregados (69,5%) e empregadores (4,2%), esse grupo revela uma realidade de crescente informalidade no mercado de trabalho.
Entre os trabalhadores familiares auxiliares, que representam 1,3% da população ocupada, a jornada de trabalho semanal é significativamente menor, com 28 horas. Esses profissionais, embora também estejam envolvidos em atividades produtivas, não recebem remuneração, como é o caso de quem ajuda na produção de uma horta familiar, por exemplo.
Diferenças regionais nas horas trabalhadas
O estudo também revela variações regionais significativas quanto às horas trabalhadas. São Paulo se destaca como o estado com a maior carga horária entre os trabalhadores autônomos, com 46,9 horas semanais, seguido por Rio Grande do Sul (46,5) e Ceará (46,2). Entre os empregados, os paulistas também lideram, com 40,7 horas semanais. Para os empregadores, Santa Catarina ocupa o primeiro lugar com 40,4 horas.
Além disso, o estado de Santa Catarina também apresenta os maiores números de horas entre os trabalhadores familiares auxiliares, com uma média de 41,6 horas semanais, significativamente acima da média nacional.
Desafios e desigualdades no mercado de trabalho
Embora o mercado de trabalho tenha apresentado um desemprego historicamente baixo, com taxas de desemprego registrando os menores índices em 14 estados, as disparidades entre as diferentes categorias ocupacionais permanecem evidentes. A pesquisa também aponta que a informalidade e o desemprego são mais prevalentes entre pessoas pretas e pardas, em comparação aos trabalhadores brancos.
*Com informações da Agência Brasil.








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