Venda de Sentenças: Investigações da PF avançam nos Tribunais de sete estados, revela Estadão

Fachada do Tribunal de Justiça da Bahia, onde atuaram magistrados que foram investigados na Operação Faroeste.
Fachada do Tribunal de Justiça da Bahia, onde atuaram magistrados que foram investigados na Operação Faroeste.

Reportagem de Rayssa Motta — publicada nesta terça-feira (11/02/2025) na Coluna de Fausto Macêdo no jornal Estadão — revela que a Polícia Federal (PF) está na fase final de investigações sobre a suposta venda de sentenças judiciais em tribunais de sete estados. As apurações envolvem magistrados, desembargadores e servidores suspeitos de negociar decisões em troca de propina. Desde o final da década de 1990, quando foi revelado o escândalo do juiz Nicolau dos Santos Neto, o Judiciário não enfrentava investigação de tamanha amplitude.

Estados e tribunais sob investigação

A PF apura esquemas de venda de sentenças nos tribunais da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Espírito Santo e Maranhão. Até o momento, as investigações resultaram no afastamento de 16 desembargadores e sete juízes. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também acompanha os desdobramentos e conduz apurações administrativas.

Os inquéritos revelam possíveis conexões entre os esquemas. Para acelerar os processos e evitar prescrição, parte das investigações foi desmembrada. Algumas já resultaram em indiciamentos e denúncias criminais, enquanto outras ainda estão na fase de coleta de provas.

Casos de destaque

Bahia – Operação Faroeste A investigação começou com a suspeita de sentenças favoráveis à grilagem de terras no Oeste da Bahia, revelando posteriormente indícios de corrupção em processos de recuperação judicial e cobrança de débitos empresariais. Segundo a PF, grupos rivais teriam comprado decisões para garantir vantagem em processos judiciais.

São Paulo – Operação Churrascada O desembargador Ivo de Almeida foi indiciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional. Durante buscas, a PF apreendeu R$ 170 mil em espécie na residência do magistrado. Ele nega envolvimento e alega que terceiros usaram seu nome para intermediar sentenças sem seu conhecimento.

Maranhão – Indiciamento de magistrados O foco da investigação é a expedição de alvarás judiciais que resultaram no levantamento de R$ 18 milhões do Banco do Nordeste para honorários advocatícios. Três desembargadores, dois juízes e sete advogados foram indiciados. Entre eles, a desembargadora Nelma Celeste Sousa Silva Sarney Costa, citada pela PF como peça-chave no esquema.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – O caso mais complexo Mensagens extraídas do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, revelaram indícios de venda de sentenças envolvendo magistrados. O empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, conhecido como “lobista dos tribunais”, teria intermediado decisões em favor de clientes. As suspeitas alcançaram o Superior Tribunal de Justiça (STJ), exigindo o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliação de eventual envolvimento de ministros.

O ministro Cristiano Zanin determinou o afastamento dos desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes Filho. Porém, autorizou Sérgio Fernandes Martins a reassumir a presidência do TJ-MS, com a suspensão do monitoramento eletrônico.

Tocantins – Operação Máximus Cinco desembargadores e três juízes foram indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação aponta que os magistrados teriam recebido propina para favorecer uma mineradora. O dinheiro teria sido repassado por meio de empresas intermediárias e transações em espécie.

Espírito Santo – Operação Follow The Money O juiz Bruno Fritoli Almeida e outros 19 investigados foram denunciados por fraudes em heranças que somam R$ 7 milhões. O magistrado nega as acusações, alegando falta de provas.

Próximos passos

A Polícia Federal segue analisando os materiais apreendidos, como mensagens, extratos bancários e depoimentos. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça acompanham os casos que envolvem autoridades com foro privilegiado. Ainda não há previsão para a conclusão dos julgamentos.


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