Congresso Nacional aprova Orçamento de R$ 5,7 trilhões para 2025 com superávit de R$ 15 bilhões

Congresso aprova LOA 2025 com destinação recorde para saúde e definição de novas regras para emendas parlamentares.

Nesta quinta-feira (20/03/2025), o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLN 26/2024), que prevê um orçamento de R$ 5,7 trilhões para o exercício de 2025, com superávit estimado em R$ 15 bilhões. A medida estabelece o teto de despesas sujeitas ao novo arcabouço fiscal e define critérios para a liberação de emendas parlamentares.

Principais pontos da Lei Orçamentária Anual 2025

O texto foi aprovado com atraso de três meses em relação ao prazo constitucional. O relator-geral, senador Angelo Coronel (PSD-BA), destacou que o superávit é quatro vezes maior do que o valor originalmente proposto pelo Executivo. O resultado fiscal respeita a meta de déficit zero, com tolerância de até R$ 31 bilhões, como determina a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

A LOA de 2025 assegura recursos para programas sociais, reajustes de servidores públicos federais e obras estruturantes. O projeto prevê um teto de R$ 2,2 trilhões para as despesas sujeitas ao novo arcabouço fiscal e inclui receitas e despesas obrigatórias da União.

Destinação dos recursos

O texto final aumentou R$ 11,9 bilhões em despesas adicionais em comparação ao projeto inicial do governo federal. Este valor compreende gastos obrigatórios e despesas fora do limite fiscal, como:

  • Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb);
  • Transferências constitucionais e legais a estados, municípios e ao Distrito Federal.

A área da saúde obteve acréscimo de R$ 24,4 bilhões, em cumprimento à legislação que destina metade das emendas individuais para o setor.

Principais mudanças nos investimentos:

Programa Valor para 2025 Comparação com 2024
Bolsa Família R$ 160 bilhões R$ 9 bilhões a menos
PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) R$ 60 bilhões R$ 13,1 bilhões a mais
Farmácia Popular R$ 4,2 bilhões R$ 1,2 bilhão a menos
Auxílio-Gás R$ 3,6 bilhões R$ 200 milhões a menos

Além disso, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida recebeu dotação de R$ 18 bilhões.

Programas como Pé-de-Meia e Vale-Gás tiveram suas pendências solucionadas durante as negociações. Houve também incremento em áreas como esporte e lazer, com aumento de seis vezes em relação à proposta inicial.

Acordo entre os Três Poderes sobre emendas parlamentares

Foi estabelecido um entendimento entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário para a regulamentação da execução de emendas parlamentares, com valor reservado de R$ 50 bilhões. O relator destacou que as emendas de comissão foram mantidas e que somente poderão ser canceladas com autorização expressa do proponente.

Segundo Angelo Coronel, a votação ocorreu sem obstruções na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e no Plenário do Congresso, resultado de tratativas conduzidas com lideranças partidárias.

Pronunciamentos das lideranças do Congresso

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, elogiou a articulação conjunta e a maturidade institucional na aprovação da proposta. O parlamentar ressaltou a importância da peça orçamentária para programas sociais e obras públicas.

Ele reconheceu ainda a atuação da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e de parlamentares da oposição e da base governista na construção do consenso.

Críticas à proposta aprovada

A proposta enfrentou críticas de setores da oposição. O senador Rogério Marinho (PL-RN) questionou a capacidade do governo em gerir o Orçamento e apontou a atual política fiscal como fator que contribui para a elevação da taxa básica de juros, atualmente em 14,25%.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou a falta de recursos para servidores do Distrito Federal e propôs a PEC 01/2025, que vincula os repasses federais ao crescimento da receita da União.

A senadora Leila Barros (PDT-DF) lamentou os cortes em políticas de combate à violência contra a mulher e a falta de recursos para ações relacionadas às mudanças climáticas.

Outros parlamentares, como Eduardo Girão (Novo-CE) e Kim Kataguiri (União-SP), votaram contra o texto. Sâmia Bomfim (Psol-SP) apoiou com ressalvas, criticando a continuidade do chamado “orçamento secreto”.

Impasse e decisão do STF

A votação foi adiada devido a um impasse sobre a execução das emendas parlamentares. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que as liberações deveriam observar critérios de transparência e rastreabilidade. O acordo entre Executivo e Legislativo, homologado pelo ministro Flávio Dino, garantiu o avanço da pauta.

Na última terça-feira (18/03), Dino solicitou informações adicionais ao Congresso e ao governo federal sobre o processo de execução das emendas, apontando riscos de falta de transparência na identificação dos autores dos repasses.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.