O deputado estadual Paulo Câmara (PSDB) criticou o ex-prefeito de Salvador e ex-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), durante entrevista ao programa Se Liga Bocão, da Rádio Baiana FM (89,3 FM), realizada nesta quinta-feira (27/03/2025). As declarações do parlamentar colocam em evidência o distanciamento político e a fragilidade na articulação de lideranças dentro da oposição baiana.
Durante a entrevista, Paulo Câmara expressou insatisfação com a falta de contato e diálogo com o ex-prefeito. Segundo ele, tentativas de comunicação, inclusive por aplicativos de mensagem, não obtiveram resposta.
“Você às vezes manda um zap e ele não responde. […] Isso é da natureza dele, é da personalidade, é uma queixa do mundo político. O que foi colocado pelo prefeito Júnior Marabá é fato. Eu estava presente na maior carreata da campanha de ACM Neto, o esforço que Júnior fez, e depois não houve uma ligação”, declarou o deputado.
Questionamento à liderança de ACM Neto na Bahia
Paulo Câmara também abordou a atual conjuntura da oposição no estado, questionando a efetividade da liderança de ACM Neto. Para ele, a imagem de liderança política deve ser construída com base na articulação e na presença ativa nos bastidores e no diálogo com aliados.
“Liderança é aquilo que você constrói. A liderança na Bahia está sendo construída? Falam em Bruno [Reis], falam em Neto, falam em João Roma… Qual é o nosso líder hoje de fato?”, questionou o parlamentar.
As falas revelam descontentamento interno no campo oposicionista e sugerem fragilidades na definição de um projeto político coeso para o estado.
Relação institucional limitada durante a gestão municipal
Câmara ainda relatou que, durante sua gestão como presidente da Câmara Municipal de Salvador, os encontros institucionais com ACM Neto foram poucos e esporádicos. Ele afirmou que as tratativas mais frequentes se davam com o então secretário João Roma, hoje também nome relevante na oposição.
“Se eu estive despachando seis vezes com o ex-prefeito ACM Neto como presidente da Câmara foi muito. Tratava mais com João Roma. Não vou onde não sou chamado”, afirmou.
Impacto das declarações no cenário político baiano
As críticas do deputado estadual, membro de um partido tradicional como o PSDB, podem aumentar a pressão sobre ACM Neto no processo de reconstrução de sua imagem após a derrota nas eleições estaduais de 2022. Além disso, refletem um esgarçamento nas relações internas da oposição ao governo estadual liderado pelo PT.
A entrevista traz à tona um debate mais amplo sobre o futuro da articulação política no campo oposicionista da Bahia, que ainda não consolidou uma liderança hegemônica para o pleito de 2026.










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