Europeus descartam suspensão de sanções contra a Rússia, mas envio de tropas à Ucrânia divide aliados

Líderes europeus reafirmam manutenção de sanções e debatem presença militar na Ucrânia.
Líderes europeus reafirmam manutenção de sanções e debatem presença militar na Ucrânia.

Os aliados da Ucrânia, reunidos nesta quinta-feira (27/03/2025) em Paris, descartaram a suspensão das sanções contra a Rússia, como exigido por Moscou. Durante o encontro, os líderes também avançaram na discussão sobre o envio de tropas para garantir um possível acordo de paz, apesar da falta de consenso. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, tenta “dividir” Europa e Estados Unidos.

A cúpula reuniu 27 líderes europeus, representantes da Otan e das principais instituições da União Europeia, além de diplomatas da Austrália, Canadá e do vice-presidente da Turquia. A reunião, promovida por França e Reino Unido, teve como objetivo debater as “garantias de segurança” à Ucrânia em caso de um acordo de paz, incluindo o envio de tropas por uma coalizão de voluntários.

Durante a conferência, Emmanuel Macron, presidente da França, afirmou que os líderes concordaram por unanimidade com a manutenção das sanções à Rússia. No entanto, a proposta de envio de tropas encontrou resistência.

Vários países europeus estão dispostos a enviar tropas à Ucrânia para garantir o cumprimento de um possível acordo de paz”, declarou Macron, destacando que essas forças teriam caráter dissuasório e não atuariam na linha de frente.

A proposta foi rejeitada por alguns líderes. O presidente da Croácia, Zoran Milanovic, afirmou que nenhum soldado croata será enviado à Ucrânia, enquanto a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reiterou que a Itália não participará dessa iniciativa.

Mesmo sem unanimidade, Macron ressaltou que a Ucrânia apoia a proposta, e uma delegação franco-britânica visitará Kiev nos próximos dias para discutir a organização dessas forças e o futuro das Forças Armadas ucranianas.

O presidente Volodymyr Zelensky, presente no evento, expressou preocupação com os desdobramentos das negociações. “Há muitas perguntas e poucas respostas sobre a atuação desse contingente”, declarou. Em suas redes sociais, Zelensky afirmou que “a Europa pode se defender” e que a Rússia “não busca uma paz real”.

Negociações e cessar-fogo no Mar Negro

Os aliados europeus aguardam os resultados das negociações mediadas pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia. O governo norte-americano anunciou que ambas as partes concordaram com os princípios de um possível cessar-fogo no Mar Negro após reuniões na Arábia Saudita.

Kiev e Moscou confirmaram a informação, mas o Kremlin condicionou qualquer avanço à suspensão parcial das sanções ocidentais, especialmente no setor agrícola.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que “não é o momento” de levantar as sanções contra a Rússia e que os países europeus discutem maneiras de intensificá-las. Zelensky reforçou essa posição, acusando Putin de tentar dividir os aliados ocidentais por meio de sua recente reaproximação com o presidente dos EUA, Donald Trump.

Na quinta-feira (27/03/2025), Rússia e Ucrânia trocaram acusações de violação do acordo que proíbe ataques a infraestruturas energéticas. Kiev e Moscou também se acusaram mutuamente de ações que podem comprometer um possível acordo sobre o Mar Negro.

*Com informações da RFI.


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