O Governo Federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reabriu a investigação sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976, durante o período da ditadura militar no Brasil. A decisão foi confirmada na quinta-feira (20/03/2025) e será conduzida pela Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos.
A reabertura do caso tem como base um laudo técnico elaborado em 2019 pelo perito e engenheiro Sergio Ejzenberg, que aponta inconsistências na versão oficial do acidente. Segundo o documento, o Opala que transportava Juscelino Kubitschek e seu motorista, Geraldo Ribeiro, não teria colidido com um ônibus antes de bater na carreta, como informado pelas autoridades da época.
O governo militar, em 1976, concluiu que o episódio teria sido um acidente de trânsito, provocado por uma tentativa malsucedida de ultrapassagem na Rodovia Presidente Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, o novo laudo indica que as evidências não sustentam essa narrativa.
Comissões estaduais já apontaram atentado
As Comissões da Verdade de Minas Gerais e São Paulo haviam, em investigações anteriores, apontado indícios de que a morte de Kubitschek poderia ter sido um atentado coordenado pelo regime militar. Entre as hipóteses levantadas estão:
- Sabotagem mecânica no veículo;
- Envenenamento do motorista;
- Disparo de arma de fogo que teria levado o motorista a perder o controle do carro.
Essas teses se somam à suspeita de que o assassinato teria sido parte de uma ofensiva contra líderes políticos históricos que buscavam formar uma frente de oposição pacífica ao regime autoritário.
Mortes de outros líderes políticos alimentam suspeitas
Entre 1976 e 1977, além de Kubitschek, outras duas figuras políticas de relevância nacional faleceram em circunstâncias questionadas: João Goulart, ex-presidente, morreu oficialmente de ataque cardíaco; e Carlos Lacerda, ex-governador da antiga Guanabara, faleceu de infarto. Contudo, documentos e depoimentos de ex-agentes indicam a possibilidade de que os três líderes tenham sido vítimas de uma ação coordenada para impedir a rearticulação da oposição ao governo militar.
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
Criada em 1995, a CEMDP tem como missão esclarecer casos de violações de direitos humanos durante a ditadura militar. Com a reabertura do caso de Juscelino Kubitschek, a comissão buscará novos depoimentos, análises técnicas e documentos que possam confirmar ou refutar as conclusões anteriores.
A medida faz parte de uma série de ações do governo Lula para retomar investigações de crimes cometidos no período autoritário e reforçar a política de memória e verdade.
Contexto político e histórico
A morte de Kubitschek ocorreu em um contexto de forte repressão política. O ex-presidente, que governou o Brasil entre 1956 e 1961 e foi o responsável pela construção de Brasília, era visto como uma figura simbólica da democracia e do desenvolvimento nacional.
O governo Lula, ao reabrir o caso, busca fortalecer o compromisso com a transparência e com o enfrentamento das violações cometidas durante a ditadura.










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