Inflação de fevereiro de 2025 atinge 1,31% impulsionada pelo aumento da energia elétrica, diz IBGE

Índice oficial de preços apresenta maior variação desde março de 2022, impactado pela alta da energia elétrica e reajustes de mensalidades escolares.
Índice oficial de preços apresenta maior variação desde março de 2022, impactado pela alta da energia elétrica e reajustes de mensalidades escolares.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou fevereiro em 1,31%, influenciado principalmente pela alta na energia elétrica. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (12/03/2025) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa o maior percentual para o mês desde 2003, quando atingiu 1,57%. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 5,06%, ultrapassando o centro da meta do governo, fixada em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O novo modelo de avaliação da meta inflacionária, vigente desde janeiro de 2025, considera o período dos 12 meses anteriores, não apenas o acumulado até dezembro. Com isso, fevereiro se tornou o segundo mês consecutivo acima do limite de tolerância, dado que o IPCA de janeiro havia registrado 4,56% no acumulado de um ano.

Energia elétrica impulsiona inflação

O maior impacto inflacionário veio da energia elétrica residencial, com aumento de 16,8%, contribuindo com 0,56 ponto percentual no índice geral. Esse movimento foi influenciado pelo fim do Bônus Itaipu, um desconto aplicado nas contas de luz em janeiro, que havia reduzido a inflação daquele mês para 0,16%. O grupo Habitação, que em janeiro teve queda de 3,08%, subiu 4,44% em fevereiro, registrando o maior impacto do mês (0,65 ponto percentual).

Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, sem o impacto da energia elétrica, a inflação de fevereiro teria sido de 0,78%, o maior valor desde fevereiro de 2024 (0,83%).

Educação e combustíveis também contribuem

O grupo Educação registrou alta de 4,7%, com impacto de 0,28 ponto percentual, devido aos reajustes das mensalidades escolares. Os aumentos mais significativos foram no ensino fundamental (7,51%), ensino médio (7,27%) e pré-escola (7,02%).

Os transportes apresentaram elevação de 0,61%, influenciada pelo aumento de 2,89% nos combustíveis, impactado pelo reajuste do ICMS. A gasolina, com alta de 2,78%, representou o segundo maior peso inflacionário do mês (0,14 ponto percentual). O diesel subiu 4,35%, e o etanol, 3,62%.

Alimentos sobem em ritmo menor

O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,70%, abaixo da variação de 0,96% em janeiro. Os produtos com maior impacto foram café moído (10,77%) e ovo de galinha (15,39%), impulsionados por problemas na safra, aumento da exportação e fatores climáticos. Em 12 meses, o café acumula alta de 66,18%.

Distribuição dos aumentos e quedas de preços

Os quatro grupos que mais contribuíram para o IPCA de fevereiro foram habitação, educação, alimentação e bebidas e transportes, concentrando 92% do índice. O índice de difusão, que mede a quantidade de itens com aumento de preço, ficou em 61%, abaixo dos 69% de dezembro e dos 65% de janeiro.

Principais impactos positivos:

  • Energia elétrica residencial: 16,80% (0,56 p.p.)
  • Gasolina: 2,78% (0,14 p.p.)
  • Ensino fundamental: 7,51% (0,12 p.p.)
  • Café moído: 10,77% (0,06 p.p.)
  • Ovo de galinha: 15,39% (0,04 p.p.)
  • Aluguel residencial: 1,36% (0,05 p.p.)

Principais impactos negativos:

  • Passagem aérea: -20,46% (-0,16 p.p.)
  • Cinema, teatro e concertos: -6,96% (-0,03 p.p.)
  • Arroz: -1,61% (-0,01 p.p.)
  • Leite longa vida: -1,04% (-0,01 p.p.)
  • Banana-d’água: -5,07% (-0,01 p.p.)

O IPCA mede a variação de preços para famílias com renda de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de capitais como Brasília, Goiânia e Salvador.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.