Mercado do boi gordo mantém tendência de queda em Feira de Santana: Cooperfeira analisa impactos para a pecuária regional

Queda no valor da arroba preocupa pecuaristas da Bahia, que enfrentam desvalorização contínua desde o início de 2025.

O preço da arroba do boi gordo recuou novamente em Feira de Santana e região, consolidando a tendência de desvalorização observada desde janeiro de 2025. A Cooperativa Pecuária de Feira de Santana (Cooperfeira) aponta que, na penúltima semana de março de 2025, o valor caiu de R$ 280,00 para R$ 275,00, acentuando a pressão sobre a rentabilidade dos produtores locais.

A retração nos preços não é um fenômeno exclusivo da Bahia. Em São Paulo, um dos principais mercados de referência para a pecuária nacional, a arroba foi cotada a R$ 316,42, enquanto no Mato Grosso os valores oscilaram entre R$ 307,00 e R$ 312,00. Esses números reforçam o descompasso entre os preços praticados nas diferentes regiões brasileiras.

Na Bahia, os valores seguem abaixo da média nacional. No Sul do estado, a arroba foi negociada a R$ 277,00 à vista e R$ 280,00 a prazo. Já no Oeste baiano, os valores foram de R$ 280,00 à vista e R$ 283,00 a prazo, evidenciando a dificuldade de recuperação no curto prazo.

Expectativas e medidas propostas

Apesar do atual cenário de retração, há expectativas de recuperação gradual com a chegada das chuvas, que tendem a reduzir a oferta de animais para abate e, consequentemente, elevar os preços no mercado físico.

O presidente da Cooperfeira, Beto Falcão, e o diretor Agenor Campos, destacam que é necessário adotar medidas estruturais para restabelecer a competitividade da pecuária regional. Entre as ações sugeridas estão:

  • Melhoria logística no escoamento da produção;

  • Ampliação do acesso a crédito rural com juros mais atrativos;

  • Fortalecimento de políticas públicas voltadas ao pequeno e médio pecuarista;

  • Incentivo à comercialização direta entre produtores e frigoríficos.

Análise do cenário

A continuidade da queda nos preços da arroba em 2025 expõe fragilidades estruturais da cadeia produtiva na Bahia, como a dependência de fatores climáticos e a falta de políticas regionais coordenadas para mitigar os efeitos do mercado nacional. Além disso, a distância dos grandes centros consumidores e a concentração de frigoríficos dificultam a negociação em melhores condições.

A estratégia da Cooperfeira, centrada na representatividade do produtor e no monitoramento de preços, é uma iniciativa relevante, mas precisa ser complementada por ações articuladas entre o setor produtivo, órgãos públicos e instituições financeiras, com foco em médio e longo prazo.


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