Desde sua volta à Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem implementado uma política agressiva de coerção econômica, focada não apenas em adversários, mas também em aliados. Em um movimento sem precedentes, Trump ampliou sua ofensiva comercial para incluir Canadá e México, sugerindo, inclusive, a incorporação do Canadá como o 51º estado americano. Além disso, suspendeu toda a assistência militar à Ucrânia, alterando significativamente o panorama geopolítico.
O artigo original, intitulado “O paradoxo da arma econômica de Trump: Por que o sucesso de curto prazo acelerará o declínio de longo prazo”, foi publicado no site Foreign Affairs por Nicolau Mulder, professor assistente de História na Universidade Cornell e autor de “The Economic Weapon”.
A histórica coerção econômica dos EUA
Historicamente, os Estados Unidos têm utilizado a coerção econômica como ferramenta diplomática, especialmente contra aliados. Durante a Guerra Fria, Washington pressionou economicamente parceiros estratégicos, forçando concessões em troca de suporte financeiro e militar. Exemplo clássico ocorreu em 1948, quando os EUA ameaçaram cortar a ajuda do Plano Marshall à Holanda, caso o país não concedesse a independência da Indonésia. Situação semelhante aconteceu em 1956, durante a crise de Suez, quando os EUA pressionaram o Reino Unido a retirar suas tropas do Egito.
Atualmente, Trump parece seguir essa estratégia, buscando enfraquecer alianças multilaterais para aumentar a dependência econômica dos países em relação aos Estados Unidos. Seu governo aposta em ameaças comerciais para garantir vantagens em negociações bilaterais.
Pressão sobre aliados e riscos globais
A coerção econômica de Trump tem mostrado maior eficácia sobre aliados do que sobre adversários. As sanções contra Rússia, Irã e China não geraram concessões significativas, mas sua pressão sobre aliados como Canadá, México e Turquia resultou em acordos favoráveis aos EUA.
No entanto, essa estratégia tem seus limites. Com o avanço da multipolaridade econômica, países buscam reduzir sua dependência dos EUA. O comércio inter-regional na União Europeia, Sudeste Asiático e América Latina vem crescendo, criando alternativas ao mercado americano. Caso Trump exagere na coerção, pode acelerar o declínio da influência econômica dos EUA, impulsionando a transição para um sistema multipolar mais independente de Washington.
Quem é Nicholas Mulder, historiador e pesquisador da história moderna europeia
Nicholas Mulder é Professor Assistente de História Moderna Europeia na Universidade Cornell, com foco na história europeia e internacional dos séculos XIX e XX, especialmente no período entre as duas Guerras Mundiais (1914-1945). Seu trabalho examina o papel das sanções econômicas e da expropriação no cenário global.
Formação Acadêmica e Trajetória Profissional
Nascido nos Países Baixos e criado na Bélgica, Mulder obteve seu Bacharelado na University College Utrecht, seu Mestrado na Universidade de Cambridge e concluiu o Doutorado na Universidade Columbia. Desde 2019, ocupa o cargo de professor assistente na Universidade Cornell, onde desenvolve pesquisas interdisciplinares relacionadas à política econômica e às relações internacionais.
Pesquisa e Publicações
Mulder publicou, em 2022, o livro “The Economic Weapon: The Rise of Sanctions as a Tool of Modern War”, que investiga a ascensão das sanções econômicas como instrumento de guerra moderna. O trabalho recebeu reconhecimentos importantes, como o Prêmio Paul Birdsall (2024), concedido pela American Historical Association, e o Prêmio Stuart L. Bernath (2023), da Society for Historians of American Foreign Relations.
Atualmente, Mulder finaliza seu próximo livro, “The Age of Confiscation: Making and Taking Property Since the Industrial Revolution”, previsto para 2026. A obra aborda a expropriação e as transferências coercitivas de ativos ao longo da história, analisando como esses processos impactaram as sociedades modernas.
Contribuições na Mídia e Atuação Acadêmica
Além de seu trabalho acadêmico, Mulder colabora regularmente com veículos de comunicação como The New York Times, The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e The Guardian, discutindo temas de história europeia, política e economia internacional.
Na Universidade Cornell, ele também está vinculado ao Einaudi Center for International Studies e faz parte do comitê diretor do Reppy Institute for Peace and Conflict Studies, reforçando seu envolvimento com estudos sobre paz e conflitos.
*Publicação original “The Paradox of Trump’s Economic Weapon: Why short-term success will hasten long-term decline“, de autoria de Nicholas Mulder.
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