Populismo e crise estrutural: O Brasil entre políticos e estadistas, segundo escritor Joaci Góes

A crise de gestão pública no Brasil, marcada pela prevalência de políticos populistas e pela carência de estadistas, foi tema central do artigo “De políticos e de estadistas”, assinado por Joaci Góes e publicado na Tribuna da Bahia em 20/03/2025. O autor retoma a clássica distinção de Winston Churchill, segundo a qual “o estadista pensa nas próximas gerações, enquanto o político pensa nas próximas eleições”, para criticar o cenário atual do país.

No texto, Góes afirma que o Brasil tornou-se um “celeiro de políticos” com poucos estadistas ao longo da história, resultando em má gestão crônica e no desperdício das riquezas naturais. O autor enfatiza que o populismo desenfreado domina a política brasileira, com medidas voltadas a garantir a permanência no poder, mesmo em alianças com setores marginais, como o crime organizado.

“O momento que vivemos no Brasil é exemplar dessa perversa presença do populismo mais desenfreado, quando tudo é feito em função do obsessivo interesse dominante do grupo no poder em ganhar as próximas eleições, seja lá a que preço for”, escreve Góes.

Silêncio sobre temas estruturantes

Apesar da ampla exposição midiática de temas eleitorais, assuntos estratégicos como educação e saneamento básico permanecem fora da pauta central. O autor ressalta que mais da metade da população brasileira carece desses serviços essenciais, agravando as desigualdades e limitando o potencial de desenvolvimento nacional.

Na Bahia, a situação é ainda mais crítica: 60% da população não tem acesso ao saneamento básico, segundo dados citados do relatório da Oxfam, intitulado “A distância que nos une”.

Relação entre educação, produtividade e desigualdade

Góes destaca que, na sociedade do conhecimento, a educação de qualidade é o motor do desenvolvimento humano e da produtividade, superando até mesmo a abundância de recursos naturais. O Brasil, ao contrário de países do primeiro mundo — muitos deles sem grandes reservas naturais —, falha em converter suas riquezas em prosperidade social.

O autor argumenta que o saneamento básico precário reduz a expectativa de vida da população mais pobre para 54 anos, enquanto aqueles com acesso a serviços adequados alcançam 79 anos de longevidade.

Miopia na gestão pública

O artigo alerta para a superficialidade das ações governamentais, que, segundo Góes, são focadas apenas em medidas emergenciais, sem contemplar transformações estruturantes. Essa conduta é comparada à expressão “Après moi, le déluge!”, simbolizando o descaso com o futuro e o predomínio do imediatismo eleitoral.

Joaci Góes encerra sua análise reiterando que a falta de estadistas e o predomínio de políticas de curto prazo mantêm o Brasil em um ciclo de estagnação. “Cada povo tem o governo que merece”, afirma, citando Joseph de Maistre, para concluir que a apatia diante dos problemas estruturais perpetua a má gestão pública.


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