Presidente Lula defende acordo Japão-Mercosul e reforça cooperação ambiental durante visita de Estado a Tóquio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Japão, no Hotel New Otani, em Tóquio, na quarta-feira (26/03/2025).
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de anúncio de plano de ação e menção aos atos previamente assinados, na sala Hagoromo-no-Ma, do Palácio Akasaka. Tóquio - Japão.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (26/03/2025), em Tóquio, a formalização de um acordo de parceria econômica entre o Japão e o Mercosul, ao lado do primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba, durante o Fórum Empresarial Brasil-Japão. A visita oficial ao país asiático também incluiu discussões sobre a abertura do mercado japonês à carne brasileira e o fortalecimento da cooperação ambiental rumo à COP30, que será realizada em Belém (PA), em novembro.

Reforço às relações comerciais e combate ao protecionismo

Lula destacou que a queda no fluxo comercial entre Brasil e Japão, de US$ 17 bilhões em 2011 para US$ 11 bilhões em 2024, indica a necessidade de reequilíbrio da balança bilateral. O presidente afirmou que deseja recuperar até US$ 6 bilhões em comércio exterior, com especial atenção à exportação de carne bovina e de aeronaves da Embraer.

Acompanhado por quase 100 empresários, Lula aproveitou a visita para buscar alternativas às tarifas impostas pelos Estados Unidos e evitar uma dependência comercial excessiva da China. O Japão é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, ficando atrás apenas da China.

Acordo Japão-Mercosul ganha apoio empresarial e diplomático

Durante o encontro, a Keidanren — principal organização patronal japonesa — reiterou o apoio a um acordo com o Mercosul, destacando a relevância do bloco sul-americano, que reúne cerca de 300 milhões de habitantes. Lula afirmou que a presidência rotativa do Brasil no Mercosul, no próximo semestre, será uma oportunidade para acelerar essas negociações.

Ishiba anunciou o envio de especialistas sanitários ao Brasil para avaliar as condições da carne bovina nacional, passo essencial para a abertura oficial do mercado japonês. O setor agroexportador brasileiro destacou o reconhecimento internacional do país como livre de febre aftosa sem vacinação, o que pode ampliar o acesso a mercados restritivos como Japão e Coreia do Sul.

Cooperação ambiental e compromisso com a COP30

O presidente brasileiro pediu o “firme engajamento” do Japão na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), enfatizando a liderança do Brasil em biodiversidade e recursos hídricos. Lula mencionou o apelo feito pelo imperador Naruhito, em 2018, por soluções sustentáveis de abastecimento de água e saneamento básico.

Em jantar oferecido pelo imperador japonês, Lula reiterou o compromisso do Brasil com um modelo de desenvolvimento sustentável baseado na inclusão social, na democracia e no multilateralismo. A visita diplomática é a primeira de Estado organizada pelo Japão desde 2019, e marca os 130 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Agricultura e biossegurança como eixos da negociação

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que a abertura do mercado japonês à carne brasileira está em negociação há mais de duas décadas. O Brasil atendeu a exigências sanitárias, incluindo o novo protocolo de regionalização em caso de gripe aviária, que limita eventuais restrições a áreas específicas e protege a imagem sanitária nacional.

O Brasil é responsável por cerca de 40% da carne de frango consumida no Japão e busca expandir também a exportação de carne suína e bovina. A avicultura comercial brasileira permanece livre do vírus H5N1, mesmo diante de surtos globais em aves silvestres.

Itinerário na Ásia e diversificação diplomática

Após a visita ao Japão, Lula segue para o Vietnã e deve ainda visitar a Malásia e a Indonésia no segundo semestre. Também há expectativa de um encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, reforçando a estratégia de diversificação de parcerias comerciais e diplomáticas.

Ao optar por fortalecer os laços com economias asiáticas, o governo brasileiro sinaliza que não pretende submeter-se à influência exclusiva de potências como Estados Unidos ou China.


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