Brasil enfrenta dilema estratégico entre submarino nuclear e frota convencional diante do orçamento da Defesa de 2025, diz analista

Orçamento projetado pode atrasar a entrega do submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto, segundo especialistas.
Orçamento projetado pode atrasar a entrega do submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto, segundo especialistas.

O orçamento do Ministério da Defesa para 2025, estimado em R$ 136,34 milhões, levanta questionamentos sobre a viabilidade do cronograma de construção do submarino nuclear brasileiro Almirante Álvaro Alberto, projeto estratégico do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Especialistas avaliam que o valor proposto não garante os recursos necessários para o avanço contínuo do empreendimento, cuja entrega pode ficar para 2040, segundo projeções recentes.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar a Lei Orçamentária até a sexta-feira (11/04/2025). O montante reservado à Defesa representa uma manutenção do nível de 2024, que havia tido um acréscimo de aproximadamente 38%. Apesar da estabilidade, o orçamento é considerado insuficiente para sustentar os investimentos previstos no PROSUB, que demanda R$ 2 bilhões por ano, segundo o portal Poder Naval.

O ministro da Defesa, José Múcio, reconheceu publicamente que o valor não atende integralmente às necessidades, mas admitiu o tratamento diferenciado recebido pela pasta em meio às restrições fiscais. O orçamento da Defesa é o quinto maior da Esplanada e engloba despesas com pessoal, custeio e investimento. Em comparação internacional, o Brasil está atrás das principais potências: os Estados Unidos investirão R$ 5,4 trilhões, a China R$ 1,3 trilhão e a Rússia cerca de R$ 818 bilhões.

Segundo a doutora em Estudos Estratégicos Internacionais Michelly Geraldo, os recursos alocados são instáveis desde o lançamento do PROSUB em 2008. Ela defende a institucionalização do projeto como uma política de Estado.

Sem um fluxo contínuo de financiamento, o submarino nuclear não avança”, afirmou.

O especialista Rafael Laginha, mestre em Estudos Estratégicos pela Universidade Federal Fluminense, considera que o prazo de entrega até 2040 não é factível diante das limitações orçamentárias.

Mesmo com os avanços tecnológicos e a entrega de quatro submarinos convencionais, não vejo viabilidade para concluir o projeto nuclear no ritmo atual”, disse.

Apesar de avanços tecnológicos, como o domínio do ciclo completo do combustível nuclear e a construção de cascos de alta resistência, o principal desafio atual é o desenvolvimento de um reator nuclear miniaturizado que possa ser instalado com segurança em um submarino.

Ainda não dominamos a integração do reator ao casco”, destacou Geraldo.

Por outro lado, Laginha questiona a relevância operacional de produzir apenas um submarino nuclear. Ele argumenta que, com os recursos disponíveis, seria mais estratégico investir em uma frota de submarinos convencionais, que demandam menos manutenção e não ficam inoperantes durante a substituição do combustível nuclear.

Durante a troca de combustível, o submarino pode ficar parado por mais de um ano, comprometendo sua função de dissuasão”, explicou.

A chamada “regra três” da estratégia naval estabelece que um submarino deve estar em patrulha, outro em treinamento e um terceiro em manutenção. Com apenas um submarino nuclear, esse ciclo não é possível.

O Brasil corre o risco de ter um submarino nuclear inoperante em períodos críticos”, avaliou Laginha.

Apesar das restrições, especialistas apontam vantagens operacionais do submarino nuclear. De acordo com Pérsio Glória de Paula, da Escola de Guerra Naval, esse tipo de embarcação opera por mais tempo, em maior profundidade e com menos chance de detecção.

O submarino nuclear é essencial para operações de longo prazo em águas distantes, ampliando a capacidade de dissuasão do Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o controle da Amazônia Azul, que representa 95% do petróleo nacional e 95% do comércio exterior brasileiro, exige capacidades estratégicas compatíveis.

Submarinos convencionais e nucleares são complementares, não excludentes”, concluiu.

*Com informações da Sputnik News.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.