Brasileiros presos em Israel e morte de adolescente geram questionamentos sobre relações diplomáticas

Casos envolvendo cidadãos brasileiros na Palestina ocupada reacendem debate sobre a posição do Brasil em relação a Israel.
Casos envolvendo cidadãos brasileiros na Palestina ocupada reacendem debate sobre a posição do Brasil em relação a Israel.

A morte do adolescente brasileiro Walid Khaled Abdullah Ahmed e a prisão de 11 cidadãos brasileiros em Israel geraram manifestações de entidades e especialistas sobre a condução das relações diplomáticas entre os dois países. O tema foi debatido no podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, nesta quarta-feira (02/04/2025), onde convidados criticaram a falta de medidas concretas do governo brasileiro.

Morte de adolescente brasileiro e detenção de cidadãos

O jovem Walid Khaled Abdullah Ahmed, de 17 anos, estava detido em Israel desde 30 de setembro de 2024, após ser levado da Cisjordânia ocupada. Sua morte foi confirmada no dia 25 de março de 2025, mas as circunstâncias não foram esclarecidas, e o corpo ainda não foi devolvido à família.

O Itamaraty cobrou explicações sobre o caso e também denunciou que 11 brasileiros estão detidos em prisões israelenses, sendo que a maioria não recebeu acusação formal. A nota oficial da chancelaria considerou a situação uma clara violação de direitos e exigiu esclarecimentos das autoridades israelenses.

Críticas à postura diplomática brasileira

Para Marcos Vinícius Férez, secretário de comunicação da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), a resposta do governo brasileiro foi insuficiente diante da gravidade do caso. Férez argumentou que o assassinato de um brasileiro menor de idade deveria resultar em ações diplomáticas mais firmes.

“Como é que a gente mantém o laço diplomático com um país que tortura cidadãos brasileiros menores de idade em um campo de concentração?”, questionou.

O secretário destacou que a detenção de Ahmed já caracterizava uma violação do direito internacional, uma vez que Israel é o único país do mundo que prende e julga crianças palestinas a partir dos 12 anos, com taxa de condenação superior a 99%.

Reação internacional e influência midiática

O escritor e professor de relações internacionais Bruno Lima Rocha também criticou a falta de atenção ao caso na imprensa brasileira. Segundo ele, se a situação envolvesse países como Venezuela, China ou Irã, o episódio teria maior repercussão.

“A gente viu duas, três reportagens saindo em um ou outro lugar. Nem sei se passou em jornais televisivos majoritários”, afirmou Férez.

Rocha comparou ainda a classificação dos brasileiros presos como terroristas à prática da Alemanha nazista, que rotulava opositores do regime como inimigos do Estado. Para ele, esse tipo de narrativa busca deslegitimar qualquer forma de resistência palestina.

Discussão sobre rompimento diplomático

O podcast abordou ainda a possibilidade de o Brasil romper relações diplomáticas com Israel. Férez defendeu que a continuidade dos laços bilaterais representa um aval à conduta do governo israelense.

“Se não foi suficiente tudo o que a gente já testemunhou em Gaza, o assassinato de um cidadão brasileiro menor de idade em um campo de tortura deve provocar algum tipo de mudança”, declarou.

O debate destacou também o papel da sociedade brasileira e da influência do sionismo pentecostal na percepção do conflito no país. Rocha mencionou que a descendência árabe no Brasil não exerce a pressão necessária para alterar o posicionamento do governo.

*Com informações da Sputnik News.


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