Na segunda-feira (28/04/2025), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) identificou a expansão global das operações de grupos criminosos do Sudeste Asiático, especializados em golpes digitais. O avanço das organizações representa uma ameaça à segurança internacional e à integridade dos sistemas financeiros.
O representante regional interino do Unodc, Benedikt Hofmann, afirmou que o crime cibernético oriundo do Sudeste Asiático está em expansão, migrando para novas áreas conforme a repressão policial se intensifica. Segundo ele, a região tornou-se um “ecossistema interconectado”, abrigando sindicatos transnacionais sofisticados que comprometem a soberania dos Estados e lideram atividades como fraudes digitais, lavagem de dinheiro e serviços bancários clandestinos.
De acordo com dados do Unodc, centros de golpes em escala industrial instalados no Sudeste Asiático geram aproximadamente US$ 40 bilhões em lucros anuais. As organizações criminosas expandem suas operações reinvestindo os lucros obtidos e utilizando forças de trabalho multilíngues, formadas em muitos casos por vítimas de tráfico humano.
A capacidade desses grupos de movimentar valores por meio de criptomoedas e bancos clandestinos facilita a infiltração de receitas ilícitas nos sistemas bancários globais. A presença desses grupos é mais forte em zonas econômicas especiais e áreas de fronteira no Camboja, Laos, Mianmar e Filipinas. Com o aumento da repressão, as organizações estão migrando para regiões mais remotas, muitas vezes controladas por grupos armados não estatais.
O surgimento de mercados ilícitos online também intensificou as operações. A maioria desses mercados utiliza o aplicativo Telegram, que oferece criptografia forte, mensagens em tempo real, design adaptado para dispositivos móveis e automação via bots, características que tornam a plataforma mais prática do que a Dark Web para a realização de transações ilícitas.
Esses mercados oferecem dados roubados, ferramentas de hackeamento, malware e serviços de lavagem de dinheiro. Além disso, os grupos criminosos estão adotando novas tecnologias, como malware avançado, inteligência artificial e deepfakes, ampliando a complexidade de suas operações.
O Unodc alerta que, caso não seja desmantelado, o “ecossistema autossustentável” do crime digital no Sudeste Asiático poderá gerar consequências globais sem precedentes. A agência ainda aponta que, com a evolução dos métodos, esses grupos passam a realizar ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas.
Um relato apresentado pela ONU News ilustra o impacto dos golpes. Wannapa Suprasert, cidadã tailandesa residente nos Estados Unidos, perdeu US$ 300 mil após ser enganada por golpistas que alegaram atuar na embaixada da Tailândia. Após ser informada de que seu passaporte havia sido usado em crimes, Wannapa foi coagida a fornecer documentos e realizar transferências bancárias para “provar sua inocência”.
Além da perda financeira, a vítima relatou desespero emocional, depressão e insônia. Nos Estados Unidos, autoridades registraram mais de US$ 5,6 bilhões em perdas financeiras relacionadas a golpes envolvendo criptomoedas.
*Com informações da ONU News.











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