A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu nesta quarta-feira (02/04/2025) uma análise detalhada das novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma sobretaxa de 10% sobre produtos brasileiros. A entidade reforçou a necessidade de manter o diálogo com o governo norte-americano para mitigar os efeitos da medida sobre a balança comercial e a indústria nacional.
“O Brasil precisa insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas”, declarou Ricardo Alban, presidente da CNI, em nota oficial.
A instituição confirmou que levará uma comitiva de empresários brasileiros aos Estados Unidos em maio, com o objetivo de discutir propostas de facilitação comercial e estratégias de abertura de mercados em termos equilibrados.
‘Dia da Libertação’: Trump adota política tarifária recíproca e tensiona comércio global
Em pronunciamento nacional, o presidente Donald Trump anunciou o que chamou de “Dia da Libertação”, marco da adoção de uma nova política de tarifas recíprocas, com foco na reindustrialização dos Estados Unidos. A medida inclui uma tarifa geral de 10% sobre produtos importados do Brasil, podendo chegar a até 50%, dependendo da carga tributária imposta por países-alvo sobre mercadorias norte-americanas.
Trump afirmou que “as nações estrangeiras finalmente pagarão pelo privilégio de acesso ao nosso mercado”, justificando a ação como necessária para restabelecer a “justiça econômica”.
Impacto direto sobre exportações brasileiras
A medida afeta diretamente setores estratégicos da economia brasileira, como:
- Óleo bruto de petróleo
- Minério de ferro
- Aeronaves e peças
- Aço semiacabado
- Café verde
- Carne bovina
- Açúcar bruto
O aço e o alumínio seguem com tarifa de 25%, vigente desde administrações anteriores. As novas tarifas de 10% passam a vigorar a partir de sábado (05/04/2025), e ainda não há detalhamento oficial das mercadorias atingidas, o que gera incertezas em cadeias produtivas da agroindústria e da indústria de transformação.
Reação do governo brasileiro: contestação legal e reciprocidade tarifária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e avalia medidas recíprocas. O Senado Federal aprovou em regime de urgência o Projeto de Lei da Reciprocidade Comercial, que autoriza o país a aplicar sanções contra práticas unilaterais que prejudiquem a competitividade nacional.
Em Paris, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a medida norte-americana como “inoportuna” e defendeu o diálogo como solução diplomática.
CNI mantém missão aos EUA e defende equilíbrio nas negociações
A CNI confirmou que uma missão empresarial será realizada na primeira quinzena de maio, com reuniões com representantes da indústria e do governo norte-americano. Segundo Ricardo Alban, a iniciativa visa “fortalecer a cooperação e o comércio bilateral de forma equilibrada”.
Em 2024, o Brasil exportou US$ 31,6 bilhões em produtos industriais para os EUA, com impacto direto na geração de empregos e renda no país.
FecomercioSP vê oportunidade para diversificação de mercados
A FecomercioSP sugeriu que o Brasil aproveite o novo cenário para ampliar sua presença em mercados como Japão, China e União Europeia, diante das dificuldades que outras nações enfrentarão com o tarifaço dos EUA.
Análise econômica: urgência em aprovar acordo Mercosul–UE
Para o economista Adalmir Marquetti, o momento exige aprovação imediata do acordo Mercosul–União Europeia, como forma de diversificar parcerias comerciais e reduzir a dependência dos EUA. Marquetti defende que o Brasil amplie sua pauta exportadora para produtos de maior valor agregado e invista na balança de serviços, tradicionalmente negativa.
Nova ofensiva de Trump inclui medidas contra Venezuela
No mesmo anúncio, Trump impôs tarifa de 25% sobre produtos de países que comercializam petróleo venezuelano e ativou dispositivos legais para deportações aceleradas de migrantes venezuelanos, alegando risco à segurança nacional. A ação visa pressionar o governo de Nicolás Maduro e intensificar o isolamento econômico da Venezuela.
Enquanto isso, a Venezuela enfrenta uma grave crise energética devido à seca, afetando o funcionamento de serviços públicos e colocando em risco a realização das eleições presidenciais de 25 de maio de 2025.
Repercussão internacional e riscos ao comércio global
Especialistas apontam que a política tarifária dos EUA pode desencadear retaliações em cadeia, comprometendo acordos multilaterais e alterando fluxos globais de investimento. A exclusão de Canadá e México do tarifaço reforça a prioridade geopolítica dos EUA no âmbito do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
Para o Brasil, o impacto pode ser significativo na balança comercial bilateral e nas negociações em curso no Mercosul e no Acordo de Paris, que envolvem cooperação ambiental e econômica entre os dois países.











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