Reportagem de Rayssa Motta e Fausto Macedo – publicada nesta terça-feira (15/04/2025) no jornal Estadão – revela que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que a empresa MM Consultoria Construções e Serviços LTDA, de propriedade de José Marcos Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, movimentou R$ 861,4 milhões em operações financeiras consideradas atípicas. O empresário é investigado pela Polícia Federal (PF) como um dos articuladores do suposto esquema de desvio de emendas parlamentares apurado pela Operação Overclean.
De acordo com informações do relatório de inteligência financeira, o próprio banco responsável pelas contas da empresa notificou o Coaf sobre uma série de transações com valores incompatíveis com o faturamento mensal declarado pela MM Consultoria. As comunicações apontaram:
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Transferências vultosas e recorrentes sem justificativa econômica;
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Pagamentos de despesas pessoais de terceiros, inclusive de agentes públicos;
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Movimentações financeiras incompatíveis com a estrutura declarada da empresa.
“A estrutura financeira da empresa é incompatível com sua atividade declarada”, afirma o relatório da PF.
Contratos públicos sob investigação
A MM Consultoria firmou contratos com prefeituras de diversos estados, incluindo Bahia, Tocantins, Amapá, Rio de Janeiro e Goiás. Segundo a Polícia Federal, houve pagamentos milionários sem evidência clara de contraprestação de serviços.
Em dois casos específicos, a PF identificou indícios graves:
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Transferência de R$ 435 mil para uma autoridade com foro privilegiado, sem justificativa econômica;
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Compra de um imóvel avaliado em R$ 1,2 milhão, adquirido por R$ 8 milhões, com indícios de superfaturamento.
Vínculos políticos e movimentações pessoais
Além das movimentações empresariais, a PF apontou que José Marcos Moura movimentou R$ 80,2 milhões em suas contas pessoais, com práticas consideradas incompatíveis com seu perfil de renda, como:
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Recebimento de valores acima da capacidade econômica;
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Depósitos fracionados e saques em espécie sem origem comprovada;
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Relações financeiras com agentes públicos;
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Ocultação patrimonial e pagamento de boletos de terceiros.
O relatório reforça que Moura “mantém vínculos obscuros com diversas pessoas, inclusive com interferência política em nomeações administrativas, como na prefeitura de Belo Horizonte.
Investigação e decisões judiciais
José Marcos Moura já foi preso em fase anterior da Operação Overclean, mas obteve habeas corpus para responder em liberdade. Recentemente, foi novamente alvo de buscas na terceira fase da operação.
A Polícia Federal solicitou novo mandado de prisão, mas o ministro Kassio Nunes Marques, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu o pedido.
A defesa do empresário foi procurada, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Histórico da Operação Overclean
A Operação Overclean, conduzida pela Polícia Federal com apoio do Ministério Público Federal (MPF), apura desvios de recursos públicos por meio de emendas parlamentares, especialmente em contratos de prestação de serviços com prefeituras. O grupo investigado já teria movimentado mais de R$ 14 bilhões, segundo estimativas preliminares das autoridades.








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