Enfermeira de Feira de Santana integra pesquisa científica sobre saúde ribeirinha no Pantanal

Projeto liderado pela Fiocruz analisa impactos ambientais na saúde humana e animal em comunidades do Rio Paraguai.
Projeto liderado pela Fiocruz analisa impactos ambientais na saúde humana e animal em comunidades do Rio Paraguai.

Feira de Santana, sábado, 19/04/2025 — A enfermeira Maricélia Maia, da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana (SMS), está participando do projeto científico Navio, voltado para o monitoramento da saúde das populações ribeirinhas do Pantanal, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A iniciativa é liderada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas) e coordenada pelo professor Luiz Alcântara, em colaboração com a Marinha do Brasil e os governos estaduais das unidades federativas envolvidas.

Pesquisa multidisciplinar no Pantanal: objetivos e métodos

O projeto, com previsão de duração de cinco anos a partir de 2023, tem como objetivo central a identificação de patógenos emergentes, além da avaliação das condições ambientais que afetam diretamente a saúde humana, animal e o equilíbrio ecológico do bioma pantaneiro.

Entre os pontos analisados estão:

  • Desmatamento e queimadas;

  • Qualidade da água, do ar e do solo;

  • Presença de vetores transmissores de doenças;

  • Circulação de vírus, bactérias, fungos e parasitas;

  • Impactos das mudanças climáticas na saúde pública.

A abordagem do estudo inclui coletas de sangue, água e material orgânico de moradores, animais domésticos e do meio ambiente. Essas amostras são processadas em laboratórios móveis instalados em embarcações da Marinha ao longo do Rio Paraguai.

Atendimentos de saúde e observação in loco

Além da pesquisa laboratorial, as equipes realizam ações de saúde comunitária, oferecendo atendimento médico, odontológico e de enfermagem, com distribuição de medicamentos, aplicação de vacinas e coleta de material para exames clínicos. Casos que demandam acompanhamento especializado são encaminhados às secretarias municipais e estaduais de saúde.

A enfermeira Maricélia Maia já integrou três das quatro expedições realizadas até o momento e relata a complexidade da realidade enfrentada pelas populações locais. Segundo ela, “é impressionante como comunidades isoladas sobrevivem com o que plantam e pescam, sem acesso a serviços básicos de saúde”. Ela também destaca a relevância da pesquisa para formulação de políticas públicas voltadas à saúde e à preservação do Pantanal.

Participação internacional e colaboração científica

O projeto Navio conta com a participação de pesquisadores de diversos países, como Holanda, México, Argentina, Colômbia e Portugal, além de universidades brasileiras de diferentes regiões. Essa integração amplia a capacidade analítica e comparativa dos dados, permitindo uma compreensão mais abrangente dos impactos ambientais sobre a saúde nas zonas ribeirinhas.

De acordo com Maricélia Maia, a pesquisa vai possibilitar “um mapeamento preciso dos fatores que mais comprometem a saúde das pessoas e dos animais nestas regiões, contribuindo diretamente para ações de prevenção e vigilância em saúde pública“.

Impactos esperados e legado do projeto

A expectativa dos coordenadores é que os dados obtidos subsidiem decisões estratégicas dos governos locais e federais para a preservação ambiental e a promoção de saúde nas comunidades ribeirinhas. Além disso, o estudo se propõe a ser uma referência internacional sobre os efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas de água doce e nos modos de vida tradicionais.


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