Na segunda-feira (14/04/2025), durante a Brazil Emirates Conference, realizada em Dubai pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), a ex-senadora Kátia Abreu defendeu o papel central do Brasil como fornecedor de alimentos para o mundo, com base em aumento de produtividade agrícola, uso racional de recursos naturais e baixo nível de subsídios governamentais em comparação a países desenvolvidos.
Segundo Kátia, nos últimos 23 anos, o país alcançou um crescimento de 730% nas exportações do agronegócio, superando as metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). “A FAO pediu que aumentássemos nossa produção em 40%. Entregamos 75% — quase o dobro da meta”, afirmou.
Ela destacou ainda que o Brasil, com sua produção atual, alimenta cerca de 800 milhões de pessoas e poderá atender até 1,4 bilhão de pessoas até 2050, sem a necessidade de desmatamentos adicionais, graças ao uso de tecnologia agrícola e ao processo de recuperação de solos degradados.
Baixo subsídio e investimento em ciência garantem competitividade
Durante o evento, a ex-senadora criticou a dependência de subsídios nas economias desenvolvidas e ressaltou a eficiência produtiva brasileira, construída com base em pesquisa científica e inovação tecnológica. “Estados Unidos e Europa subsidiam até 30% da produção agrícola, enquanto o Brasil utiliza apenas 5%, dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, explicou.
Ela atribuiu o sucesso do país a instituições como a Embrapa, responsável por desenvolver tecnologias que impulsionaram a expansão sustentável da agropecuária, inclusive com a conversão de pastagens em áreas de grãos, mantendo e, em alguns casos, ampliando a produtividade.
Potencial de ampliação do comércio com países árabes
Kátia Abreu também aproveitou a ocasião para convocar os países árabes a aumentarem as compras de alimentos brasileiros, argumentando que o volume atual é inferior ao potencial de mercado da região. “Enquanto o Egito compra US$ 4 bilhões, todo o Oriente Médio adquire apenas US$ 4,6 bilhões, mesmo com maior população e PIB per capita. Há espaço para expandir essa relação e até transformar esses países em distribuidores regionais”, afirmou.
De acordo com a ex-senadora, a estabilidade do Brasil, sua capacidade de escala e a segurança alimentar oferecida são diferenciais estratégicos em um cenário global marcado por incertezas e choques logísticos.
“Temos comida, temos escala, temos estabilidade. O que falta é ampliar o canal de acesso e aproveitar essa janela histórica”, concluiu.
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