Godofredo Filho: O modernista de Feira de Santana que marcou a cultura local

Feirense de destaque, Godofredo Filho foi pioneiro do Modernismo na Bahia e atuou intensamente na preservação histórica e cultural da região.
Feirense de destaque, Godofredo Filho foi pioneiro do Modernismo na Bahia e atuou intensamente na preservação histórica e cultural da região.

Godofredo Rebello de Figueredo Filho, mais conhecido como Godofredo Filho, foi uma figura central no cenário artístico e cultural da Bahia, tendo sua obra literária e o empenho na preservação histórica como marcos de sua trajetória. Nascido em 1904, em Feira de Santana, filho de Godofredo Rebello de Figueredo e Elisa Maria de Figueredo, iniciou sua formação na cidade natal antes de se transferir para Salvador, onde cursou o Seminário Central Santa Tereza e o Ginásio da Bahia. Posteriormente, ingressou na universidade, dedicando-se aos estudos de Filosofia e Arte Brasileira, além de se destacar no campo da literatura e ensino.

Godofredo Filho foi pioneiro do Modernismo na Bahia, movimento artístico que teve início em 1922 no Brasil. Sua atuação foi marcada por palestras, livros e presença ativa em congressos e eventos literários, tanto no Brasil quanto no exterior. Sua influência se estendeu ao mundo acadêmico e cultural, com sua participação no Conselho Estadual de Cultura e na Academia de Letras da Bahia, além de exercer atividades de ensino na Escola de Belas Artes da Bahia e na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Além de sua contribuição literária e acadêmica, Godofredo Filho dedicou-se à preservação do patrimônio histórico da Bahia. Entre 1969 e 1971, presidiu o II Distrito da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), órgão que mais tarde foi transformado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Sua gestão foi decisiva para a declaração de Cachoeira como Monumento Nacional, um feito importante para a preservação cultural do Recôncavo Baiano.

Durante sua carreira, Godofredo Filho também ocupou a assessoria cultural da Diretoria de Vida Universitária da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e atuou como consultor cultural de diversas instituições. Seu trabalho foi amplamente reconhecido, sendo homenageado em 1984, aos 80 anos, por meio de uma cerimônia organizada pela Prefeitura Municipal, pela Câmara de Vereadores e pela UEFS, realizada no Museu Regional de Feira de Santana.

O legado de Godofredo Filho foi relembrado em 2014, durante o ‘Simpósio Godofredo Filho Cem Anos Depois’, evento que contou com a colaboração de diversos órgãos culturais e acadêmicos, como o IPHAN, a UEFS, e diversas academias de letras. O simpósio, que teve atividades em Feira de Santana e Salvador, foi coordenado pelas professoras Zeny Duarte e Ana Angélica de Morais, além de Eduardo Simas, e destacou a importância de sua obra para o panorama cultural da Bahia.

A produção literária de Godofredo Filho abrange poesias, canções e fundamentos da estética psicológica, com um foco especial para os sonetos. Seu livro Dimensão Histórica da Visita de Dom Pedro II a Feira de Santana é um exemplo de sua atuação na preservação da memória histórica. Embora tenha se retirado para o Sítio Santo Antão, em Maria Quitéria, nunca deixou de se dedicar à sua paixão pela poesia.

Godofredo Filho faleceu em 22 de agosto de 1992, aos 88 anos. Sua contribuição à literatura, à preservação cultural e à modernização da arte na Bahia permanece como um importante legado para as futuras gerações.


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