Na terça-feira (16/04/2024), o Tribunal do Júri da Comarca de Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, condenou Gideão Duarte de Lima a 20 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão em regime fechado, pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa. A decisão resulta de denúncia formalizada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), referente ao assassinato da cantora gospel Sara Freitas, ocorrido em 24 de outubro de 2023, no Povoado Leandrinho.
Segundo o MPBA, o crime foi resultado de uma emboscada previamente articulada. O réu teria atraído a vítima sob o pretexto de que ela participaria de um evento religioso, mas a conduziu até uma área deserta, onde outros cúmplices já a aguardavam. A cantora foi morta com 22 golpes de faca e teve o corpo ocultado em uma área de matagal, com tentativa posterior de destruição de provas por meio de incêndio no local.
Planejamento meticuloso e ausência de chance de defesa
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Robert de Moura Carneiro afirmou que o crime se destacou pela “frieza dos réus, torpeza dos motivos e crueldade na execução da vítima”. Destacou ainda que a vítima foi enganada e levada a crer que se apresentaria em um culto, quando na verdade foi levada a um local isolado, onde os executores simularam um assalto antes de iniciar os ataques fatais.
“A ação delituosa decorreu de um planejamento meticuloso, em que Sara Freitas foi privada de qualquer chance de defesa, e os réus se preocuparam desde o início em apagar vestígios e se eximir da responsabilidade penal”, declarou o promotor.
Julgamento e fundamentação da sentença
A juíza Marina Lemos de Oliveira Ferrari, responsável pela condução do júri, destacou na sentença a “elevada reprovabilidade da conduta” de Gideão, considerando a emboscada e a premeditação do homicídio. Segundo a magistrada, o réu induziu a vítima ao erro com o objetivo de facilitar o crime, demonstrando total desprezo pela vida humana.
Ainda conforme a denúncia, outros três indivíduos também foram denunciados e aguardam julgamento por participação no crime, em um processo que continua em andamento no Judiciário baiano.
Atuação do Ministério Público e impacto social
O promotor Robert de Moura ressaltou o papel do MPBA na apresentação de provas e reconstrução dos fatos, afirmando que a condenação representa uma resposta institucional à violência contra a mulher e ao cometimento de crimes hediondos com motivação torpe.
“Essa condenação é também um marco da atuação firme da Justiça contra crimes hediondos e no resgate à memória das mulheres vítimas de violência doméstica, reafirmando o compromisso institucional com a proteção da vida”, concluiu o promotor.
Contextualização do crime e repercussão
Sara Freitas era conhecida na cena gospel local e, à época de sua morte, se preparava para novas apresentações. O crime gerou comoção regional e mobilização nas redes sociais. A família da vítima e movimentos ligados à defesa das mulheres cobraram justiça diante da brutalidade do caso.
A condenação de Gideão Duarte de Lima é vista como um desdobramento importante na responsabilização dos envolvidos, embora o processo continue quanto aos demais denunciados.








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