O ex-diretor executivo da empresa Hurb (antigo Hotel Urbano), João Ricardo Rangel Mendes, de 44 anos, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva, conforme decisão proferida em audiência de custódia realizada no domingo (27/04/2025) pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). A conversão da prisão foi justificada pela garantia da ordem pública e econômica, segundo o juízo responsável.
A prisão ocorreu na sexta-feira (25/04/2025), após acusação de furto de obras de arte em dois locais na zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com as investigações, João Ricardo subtraiu uma obra de arte e três esculturas do Hotel Hyatt, localizado na Praia da Barra da Tijuca. No dia seguinte, ele teria furtado dois quadros, um iPad e a carteira do proprietário do escritório Duda Porto Arquitetura, situado no Casa Shopping, também na Barra da Tijuca.
A direção do shopping acionou a polícia após a análise de câmeras de segurança, que registraram o momento do furto no interior do escritório. A identificação do suspeito como o ex-CEO da Hurb foi possível por meio das imagens de vigilância. A Polícia Civil confirmou os indícios que relacionavam o investigado aos dois episódios.
Na audiência de custódia, o juízo considerou “evidente a necessidade da conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva do custodiado”, indicando que a medida é necessária para o restabelecimento da paz social. A decisão cita ainda que a folha de antecedentes criminais de João Ricardo apresenta anotações por crimes patrimoniais anteriores.
A defesa de João Ricardo não foi localizada pela reportagem até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.
Histórico empresarial e penalidades administrativas
João Ricardo Mendes foi CEO da Hurb até 2023, ano em que deixou o cargo após uma série de polêmicas envolvendo declarações ofensivas a consumidores. O episódio atual ocorre em um momento de fragilidade institucional da empresa, que está impedida de atuar no setor de turismo.
Em abril de 2025, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da Hurb no Cadastur, impossibilitando a empresa de oferecer legalmente serviços turísticos. A decisão está relacionada a denúncias de descumprimento contratual e reclamações de consumidores nos âmbitos administrativo e judicial.
Além da suspensão, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, determinou que a Hurb apresente relatório completo sobre sua situação financeira. O documento deve conter:
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quantidade de contratos não cumpridos,
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valores devidos aos consumidores, e
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lista de clientes afetados.
O descumprimento da ordem acarreta multa diária de R$ 80 mil. Segundo a Senacon, foram 12 meses de tentativas para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa, sem êxito. O órgão concluiu que a atuação da Hurb se tornou inviável nos aspectos operacional, técnico e financeiro.
O secretário Nacional do Consumidor, Wadih Damous, afirmou que a Senacon “não negocia com má-fé, omissão e desrespeito ao consumidor brasileiro”, e defendeu a coerência da medida adotada pelo Ministério do Turismo.
Posicionamento da empresa
Em resposta pública divulgada em sua “carta aberta ao mercado”, a Hurb afirmou que mantinha negociações com a Senacon há mais de 15 meses e que o cancelamento do cadastro teria ocorrido por motivações políticas. A empresa alegou ter sido surpreendida pela ruptura do diálogo e acusou a Senacon de ter “abandonado a mesa de negociação”.
*Com informações da Agência Brasil.










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