Teve início nesta segunda-feira (14/04/2025), a operação da Rota Marítima Direta Zhuhai-Brasil & Cooperação Econômica e Comercial Sino-Brasileira, conectando o Porto de Gaolan, na China, aos portos de Santana, no Amapá, e de Salvador, na Bahia. A medida marca uma nova etapa nas relações comerciais entre Bahia e China, o que deve beneficiar diversos setores econômicos por meio da redução do tempo de transporte em até 30 dias e da consequente diminuição dos custos logísticos em mais de 30%.
O lançamento da rota contou com a participação do secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida, que representou o governador Jerônimo Rodrigues na conferência de abertura, realizada em Brasília, a convite do Governo Popular Municipal de Zhuhai e do Grupo Parlamentar Brasil-China da Câmara dos Deputados.
Logística otimizada e impacto no comércio bilateral
A nova rota marítima foi projetada para atender à crescente demanda por integração logística entre o Brasil e a Ásia, especialmente no comércio com a China, principal parceira econômica da Bahia. Segundo Angelo Almeida, a iniciativa possui potencial para impulsionar a industrialização do estado, facilitando a aquisição de equipamentos e maquinários por parte de empresas baianas.
“A nova conexão é estratégica para fomentar a industrialização e fortalecer o comércio bilateral. A China já é o principal destino das exportações baianas, e essa rota trará ganhos logísticos significativos”, afirmou o secretário.
Dados do primeiro trimestre de 2025 indicam que as exportações da Bahia para a China somaram US$ 1,2 bilhão, enquanto as importações alcançaram US$ 800 milhões, o que evidencia a intensidade das relações comerciais entre as duas economias.
Infraestrutura portuária integrada
O Porto de Salvador, tradicional hub logístico do Nordeste brasileiro, está apto a receber navios de até 150 mil toneladas de porte bruto, com operações de carga e descarga reconhecidas por sua eficiência. Já o Porto de Gaolan, localizado no estuário do Rio das Pérolas, é o principal terminal de águas profundas da região de Zhuhai e movimenta cerca de 160 milhões de toneladas por ano, com conexões para o Sudeste Asiático, Oriente Médio e, agora, o Brasil.
A infraestrutura do Porto de Gaolan é apoiada por uma rede logística integrada, composta por rodovias, ferrovias, aeroportos e oleodutos, o que deve facilitar ainda mais o trânsito de mercadorias entre os países.
Investimentos e cooperação tecnológica
Durante a cerimônia, Angelo Almeida destacou o papel de empresas chinesas de destaque no setor de energias renováveis e tecnologia que já atuam na Bahia, como a Goldwind, Sinoma e a fabricante de veículos elétricos BYD. Os investimentos dessas companhias refletem o aprofundamento da cooperação sino-brasileira com foco em inovação, infraestrutura e sustentabilidade.
O secretário também reconheceu o empenho do embaixador Zhu Qingqiao e da Frente Parlamentar Brasil-China, liderada pelo deputado federal baiano Daniel Almeida, como elementos fundamentais na consolidação desse novo ciclo de integração econômica.
Potencial de desenvolvimento para o Norte e Nordeste
A nova rota marítima é considerada uma via estratégica para o desenvolvimento regional, especialmente para os estados das regiões Norte e Nordeste. Os portos de Santana e Salvador tornam-se pontos de escoamento de commodities brasileiras, como soja, minério de ferro, carne bovina e celulose, além de facilitarem a importação de insumos industriais e tecnológicos oriundos da Ásia.
Com a redução de custos logísticos e a ampliação da malha de transporte internacional, a expectativa é que a nova rota contribua significativamente para o crescimento econômico sustentável, geração de empregos e aumento da competitividade das exportações brasileiras.










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