Segunda-feira, 21/04/2025 — Ao completar doze anos à frente da Igreja Católica, o Papa Francisco consolidou um pontificado marcado por inovação pastoral, reformas institucionais profundas e ações diplomáticas de alcance global. Primeiro pontífice latino-americano, primeiro jesuíta e o primeiro a escolher o nome “Francisco”, Jorge Mario Bergoglio conduziu transformações cuja irreversibilidade é apontada até por seus críticos.
Desde a sua eleição, em 13 de março de 2013, sua proposta não foi conquistar primazias, mas iniciar “processos” duradouros, conforme delineado na exortação apostólica Evangelii Gaudium. As reformas na Cúria, os gestos de proximidade com pobres e migrantes, os apelos pela paz e o novo dinamismo eclesial sintetizam seu legado.
Reformas estruturais e o governo da Igreja
Conselho de Cardeais e reorganização da Cúria
Logo após sua eleição, Francisco criou o Conselho de Cardeais (C9), núcleo consultivo responsável por auxiliar na reformulação da Cúria Romana. A culminação desse esforço se deu com a promulgação da constituição apostólica Praedicate Evangelium (2022), que estabeleceu:
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O novo Dicastério para a Evangelização, presidido diretamente pelo Papa;
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A valorização dos leigos em funções de governo;
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A nomeação de mulheres em cargos de liderança, como Raffaella Petrini e Simona Brambilla.
Documentos centrais: encíclicas e exortações
Quatro encíclicas e sete exortações apostólicas
Francisco publicou quatro encíclicas com ênfase na fé, na ecologia, na fraternidade e no amor divino:
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Lumen Fidei (2013) — concluída com Bento XVI;
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Laudato si’ (2015) — crítica ao modelo de desenvolvimento ambiental;
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Fratelli Tutti (2020) — proposta de fraternidade global;
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Dilexit Nos (2023) — reflexão sobre o Sagrado Coração de Jesus.
Destacam-se também exortações como Amoris Laetitia, Querida Amazonia e Laudate Deum, esta última atualizando o apelo climático de Laudato si’.
Viagens e presença global
Diplomacia, conflitos e periferias
Em 47 viagens internacionais, Francisco atuou em zonas de guerra, como Iraque, Sudão do Sul e República Centro-Africana. Em Bangui, abriu a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia (2015), e em Abu Dhabi (2019), assinou o Documento sobre a Fraternidade Humana com o Grão-Imame al-Tayeb, reforçando o diálogo inter-religioso.
Outros marcos incluem:
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Visita a Cuba e aos Estados Unidos (2015), com papel ativo na reaproximação diplomática;
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Encontro com o Patriarca Kirill em Havana;
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Acordo com a China sobre nomeações episcopais (2019, renovado até 2024).
Sínodos, missionariedade e sinodalidade
O Papa promoveu duas sessões sinodais (2023 e 2024) com foco na sinodalidade como forma de governo eclesial. Nesses encontros, mulheres passaram a ter direito de voto, e leigos assumiram papéis centrais. Também instituiu dez grupos de estudo para aprofundamento doutrinário.
Acolhida, liturgia e posicionamentos
Francisco abriu caminho para que divorciados recasados possam comungar, promoveu acolhida pastoral a LGBTQIA+ e defendeu sacramentos como remédio para os pecadores. Denunciou a “cultura do descarte”, insistiu em uma “Igreja pobre para os pobres” e fortaleceu o conceito de “Igreja em saída”.
Enfrentamento dos abusos e reforma judicial
Com o Motu Proprio Vos estis lux mundi (2019), o Papa estabeleceu protocolos para denúncia e responsabilização de autoridades eclesiais. O documento foi resultado do Summit sobre Proteção de Menores, e introduziu o princípio da accountability na Igreja.
Compromisso com a paz e os migrantes
O pontificado foi marcado por ações humanitárias em zonas de conflito, como a consagração da Rússia e Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria (2022), visitas a campos de refugiados, e iniciativas como o Dia Mundial dos Pobres (instituído em 2017).
O Papa também foi crítico dos gastos militares e propôs um Fundo Mundial para erradicar a fome, substituindo despesas com armamentos.
Saúde, dificuldades e legado visual
Apesar de problemas de saúde — incluindo cirurgias e uso de cadeira de rodas —, Francisco manteve agenda ativa. Um dos momentos mais emblemáticos de seu pontificado foi a Statio Orbis durante o lockdown da pandemia (27/03/2020), quando atravessou a Praça São Pedro sob chuva, em silêncio, sozinho, com o mundo em quarentena.
Estatísticas do pontificado
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+500 audiências gerais;
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163 cardeais nomeados em 10 consistórios;
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+900 canonizações;
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4 Jornadas Mundiais da Juventude (RJ, Cracóvia, Panamá, Lisboa);
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2 jubileus: da Misericórdia (2016) e o atual (2025);
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Anos especiais dedicados à Vida Consagrada, São José e à Família.











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