Quinta-feira, 24/04/2025 – A Controladoria-Geral da União (CGU) registrou, entre janeiro de 2023 e abril de 2025, um total de 3.744 denúncias formais contra o INSS por descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, em favor de entidades de classe. Cada uma resultou na abertura de processo administrativo, revelando a persistência de um sistema de cobrança compulsória sem consentimento dos beneficiários. No governo anterior, não houve registro de denúncias semelhantes.
As queixas começaram a surgir no início da atual gestão, coincidindo com a abertura de investigações pela CGU. A prática envolvia sindicatos e associações que celebraram acordos com o INSS, utilizando-os para viabilizar descontos diretos, muitas vezes sem qualquer respaldo legal ou autorização formal dos aposentados.
Operação Sem Desconto: fraude sistêmica e rombo de R$ 6,3 bilhões
A Operação Sem Desconto, deflagrada na quarta-feira (23/04), revelou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS, com prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A investigação atingiu centenas de entidades suspeitas de atuar como fachadas sindicais, beneficiando-se de um sistema de cooperação estatal mal fiscalizado.
O caso levou ao afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, por ordem judicial, e à sua demissão posterior pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sua residência e gabinete.
Após a operação, o governo anunciou a suspensão geral dos acordos de cooperação técnica para desconto de mensalidades em folha, inclusive aqueles ainda não investigados. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que será realizado um “freio de arrumação” para reavaliar todo o sistema:
“A administração, por cautela, vai suspender. Vai dar um freio de arrumação e examinar o quadro para regularizar o desconto.”
Lewandowski também declarou que, mesmo que descontos sejam processados na próxima folha de pagamento, os valores não serão repassados às entidades envolvidas.
Estimativas de impacto e medidas compensatórias
O governo estima que pelo menos 180 mil beneficiários já solicitaram reembolso dos valores descontados indevidamente, mas o número real de atingidos pode ser consideravelmente maior. O Ministério da Previdência estuda mecanismos para ressarcir integralmente os lesados, diante da pressão crescente por justiça e reparação.
Nova ofensiva: Operação Cessatio investiga fraudes no BPC
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (24/04), a Operação Cessatio, para investigar concessões fraudulentas de Benefícios de Prestação Continuada (BPC/Loas) a venezuelanos que não residem no Brasil. A ação envolveu falsificação de documentos, manipulação de cadastros oficiais e exploração de imigrantes em situação de vulnerabilidade.
Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Boa Vista e Pacaraima (RR), atingindo sete escritórios de advocacia. Um delegado aposentado da Polícia Civil também está entre os investigados. O rombo estimado é de R$ 16 milhões, e houve bloqueio de bens e suspensão de atividades econômicas dos envolvidos.
Aparelhamento e degradação do Estado
As operações revelam um quadro alarmante de degradação institucional, em que parte da estrutura estatal foi cooptada e transformada em instrumento de práticas ilícitas, operando como organização criminosa em escala geométrica e persistente no tempo. A falta de controle efetivo sobre convênios e descontos demonstra um ambiente de tolerância institucional à ilegalidade, com lesão grave ao próprio Estado brasileiro, ao INSS e, sobretudo, aos aposentados — muitos dos quais são idosos em situação de vulnerabilidade social, totalmente alheios à complexidade do sistema que os prejudicou.
O Governo Lula, ao permitir esse nível de infiltração criminosa na estrutura administrativa, assume responsabilidade direta pela omissão e pela continuidade das práticas fraudulentas. Trata-se de um cenário que exige reformas estruturais profundas, responsabilização individual e coletiva dos gestores envolvidos, e um novo modelo de fiscalização preventiva e autônoma.
1. Denúncias e Ações da CGU
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Período analisado: janeiro de 2023 a abril de 2025.
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Total de denúncias: 3.744 denúncias formais contra o INSS.
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Motivo das denúncias: descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, em favor de entidades de classe.
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Abertura de processos administrativos: 100% dos casos resultaram em processos.
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Comparação com o governo anterior: não houve denúncias semelhantes.
2. Operação Sem Desconto
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Data de deflagração: quarta-feira, 23/04/2025.
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Objeto da investigação: esquema nacional de descontos associativos não autorizados.
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Período do esquema: entre 2019 e 2024.
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Prejuízo estimado: R$ 6,3 bilhões.
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Entidades envolvidas: centenas de sindicatos e associações atuando como fachadas.
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Consequências administrativas:
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Afastamento e demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
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Mandados de busca e apreensão cumpridos em sua residência e gabinete.
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Medida do governo: suspensão total dos acordos de cooperação técnica para descontos em folha.
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Declaração oficial: Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou um “freio de arrumação” para reavaliar o sistema.
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Bloqueio de repasses: mesmo que haja desconto, valores não serão transferidos às entidades.
3. Impacto sobre Beneficiários
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Requerimentos de reembolso: ao menos 180 mil beneficiários já solicitaram devolução dos valores.
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Estimativa governamental: número de lesados pode ser significativamente maior.
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Providências do Ministério da Previdência: análise de mecanismos de ressarcimento integral.
4. Operação Cessatio
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Data de deflagração: quinta-feira, 24/04/2025.
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Foco da investigação: concessões fraudulentas do BPC a venezuelanos que não residem no Brasil.
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Práticas ilegais identificadas:
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Falsificação de documentos;
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Manipulação de cadastros oficiais;
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Exploração de imigrantes vulneráveis.
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Mandados judiciais: 14 buscas e apreensões em Boa Vista e Pacaraima (RR).
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Alvos da operação: 7 escritórios de advocacia e um delegado aposentado.
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Prejuízo estimado: R$ 16 milhões.
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Medidas cautelares: bloqueio de bens e suspensão de atividades econômicas.
5. Avaliação Crítica e Contextual
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Diagnóstico institucional: parte da estrutura estatal foi cooptada, operando como organização criminosa.
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Escala da corrupção: geométrica e persistente no tempo.
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Consequências institucionais: lesão grave ao Estado, ao INSS e, sobretudo, aos aposentados vulneráveis.
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Responsabilidade política: o governo federal é responsabilizado por omissão administrativa e falhas de controle.
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Propostas de solução:
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Reformas estruturais profundas;
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Responsabilização de gestores;
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Novo modelo de fiscalização preventiva e autônoma.
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*Com informações do site Metrópoles.











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