PF investiga uso de offshore para lavagem de dinheiro por alvos da Operação Overclean

Salvador (BA) – Segunda-feira, 08/04/2025 — A Polícia Federal (PF) investiga o uso de empresas offshore registradas em paraísos fiscais como parte de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos milionários financiados com recursos provenientes de emendas parlamentares. A apuração integra a 3ª fase da Operação Overclean, autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Criação de offshores nas Ilhas Virgens Britânicas

Segundo a decisão judicial que autorizou a nova etapa da investigação, os irmãos Alex e Fábio Parente, apontados como líderes do grupo, constituíram empresas no exterior em 4 de novembro de 2024, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A finalidade seria a ocultação de valores desviados por meio de contratos firmados com órgãos públicos federais, estaduais e municipais.

“A autoridade policial consignou que (…) até o presente momento não foi possível precisar o montante exato de valores remetidos para essas empresas”, afirma o despacho do STF.

Apesar da constituição comprovada das offshores, a PF prossegue na tentativa de identificar valores exatos transferidos e verificar a contemporaneidade das movimentações financeiras com os contratos sob suspeita.

Investigados atuavam com contratos públicos e emendas parlamentares

Os irmãos Parente e outros investigados, como o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo” na Bahia, são suspeitos de integrar um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de contratos com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e outras instituições. Empresas vinculadas ao grupo, como a Allpha Pavimentações, foram beneficiárias de contratos financiados com recursos do chamado “orçamento secreto”.

Principais elementos da apuração:

  • Uso de offshores para movimentação financeira oculta no exterior

  • Ocultação patrimonial por meio de registros em nomes de terceiros

  • Guarda de itens de luxo em residências particulares

  • “Contratos de gaveta” para transações imobiliárias não registradas oficialmente

  • Ligação direta com emendas parlamentares destinadas a obras públicas

Um exemplo citado pela PF é a promessa de compra e venda de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 950 mil, sem o devido registro em cartório.

Conexão com político federal e envio ao STF

A nova fase da operação representa um avanço nas investigações após o surgimento de indícios de envolvimento do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA). O caso foi remetido ao STF no dia 15 de janeiro de 2025, em razão do foro por prerrogativa de função.

A PF utilizou como base interceptações telefônicas, depoimentos, documentos apreendidos nas fases anteriores e informações financeiras fornecidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Entre as transações suspeitas identificadas, está um repasse de R$ 435 mil a uma pessoa com foro privilegiado. A origem da transferência é atribuída à empresa MM Limpeza, controlada por Moura.

Histórico da Operação Overclean

A Operação Overclean teve início em dezembro de 2024, após a apreensão de documentos que revelaram uma possível “contabilidade paralela” do grupo investigado. A primeira fase foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024, após a interceptação de um voo entre Salvador e Brasília, no qual Alex Parente e Lucas Maciel Lobão Vieira, ex-chefe do DNOCS na Bahia, transportavam documentos comprometedores.

Com base nos dados apreendidos, a 2ª fase da operação foi executada em 23 de dezembro de 2024, culminando na prisão de um policial federal, do vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA), Vidigal Cafezeiro Neto, do secretário de Mobilidade Urbana de Vitória da Conquista (BA), Lucas Dias, e de Carlos André Coelho, apontado como operador financeiro do grupo.

Contratos públicos sob investigação:

  • DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas)

  • Estados e municípios nordestinos

  • Empresas vinculadas ao grupo Parente, como Allpha Pavimentações

  • Valor total investigado: cerca de R$ 150 milhões (2021-2024)

A análise dos contratos revelou que os pagamentos se iniciaram durante o governo Jair Bolsonaro (PL), em junho de 2021, e se estenderam até julho de 2024, já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Avanço da investigação e novas diligências

Com a operação agora sob competência do STF, a PF deve intensificar as diligências para determinar o montante exato das remessas internacionais, confirmar a participação de agentes políticos com foro privilegiado e reconstituir o fluxo de recursos desviados.

A investigação pode desdobrar-se em novas fases, uma vez que o material reunido inclui dados financeiros complexos, contratos suspeitos e possível cooptação de agentes públicos.

¨¨Com informações de Fabio Serapião, do site Metrópoles.


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