Na segunda-feira (28/04/2025), o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou um curso de formação política destinado a evangélicos, com o objetivo de reduzir a rejeição do segmento ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fortalecer o diálogo com essa parcela do eleitorado nas eleições de 2026. A iniciativa integra uma estratégia mais ampla para reverter a predominância conservadora entre os fiéis, especialmente no contexto da forte atuação de lideranças religiosas alinhadas à direita.
O curso foi estruturado pelo setorial evangélico do PT e está disponível na plataforma digital da Fundação Perseu Abramo, entidade ligada ao partido. A formação prevê aulas sobre democracia, direitos sociais e combate à desigualdade, buscando alinhar princípios cristãos com temas historicamente defendidos pela legenda.
De acordo com informações divulgadas pela Fundação Perseu Abramo, o curso é composto por dez módulos, que abordam tópicos como:
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História dos evangélicos no Brasil;
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Democracia e cidadania;
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Justiça social e combate à pobreza;
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Análise crítica da atuação política de igrejas e lideranças religiosas.
O material é apresentado em vídeos e apostilas, além de contar com fóruns de discussão e atividades avaliativas. O público-alvo são militantes evangélicos ligados ao PT, mas o acesso é aberto a interessados em geral.
Contexto político e objetivos estratégicos
Segundo dirigentes do partido, a decisão de lançar o curso foi baseada em pesquisas internas que apontam elevada rejeição a Lula entre evangélicos, especialmente em estados do Sudeste e do Centro-Oeste. Dados recentes indicam que cerca de 70% dos evangélicos votaram em candidatos da direita nas eleições de 2022.
Ao investir na formação política específica para esse segmento, o PT busca neutralizar narrativas contrárias à esquerda que são disseminadas por parte de lideranças religiosas, além de construir pontes com as bases evangélicas populares, historicamente mais receptivas a pautas sociais e de combate à pobreza.
Repercussões internas e externas
Internamente, a iniciativa recebeu apoio de setores do partido voltados à comunicação e mobilização popular. No entanto, ala mais radicalizada da esquerda expressou receio de que o esforço de aproximação resulte em concessões programáticas excessivas ao conservadorismo moral defendido por muitos evangélicos.
Externamente, a estratégia foi criticada por lideranças evangélicas tradicionais, que a classificaram como uma tentativa de “doutrinação política”. Por outro lado, analistas políticos avaliam que o movimento representa uma mudança pragmática do PT, reconhecendo a importância estratégica do eleitorado evangélico para as disputas de 2026.
Perspectivas para as eleições de 2026
A aposta do PT em capilarizar seu discurso entre os evangélicos insere-se num cenário eleitoral que deverá ser altamente competitivo. Pesquisas preliminares indicam que o voto evangélico poderá definir resultados em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás.
Especialistas alertam, contudo, que a reconstrução da imagem do partido junto aos evangélicos é um processo de médio a longo prazo e que dificuldades históricas de comunicação com esse público não serão superadas apenas com campanhas pontuais.
*com informações do UOL.
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