Neste sábado (26/04/2025), a Praça de São Pedro, no Vaticano, foi palco de uma cerimônia histórica com a realização do funeral do Papa Francisco. Cerca de 400 mil fiéis, além de chefes de Estado e representantes da realeza de diversas nações, participaram do evento que marcou o adeus ao pontífice argentino. O sepultamento ocorreu na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, conforme desejo expresso por Francisco, rompendo a tradição de descanso papal na cripta de São Pedro.
Homenagens e multidão histórica
De acordo com o ministro italiano do Interior, Matteo Piantedosi, aproximadamente 400 mil pessoas acompanharam presencialmente a missa e o cortejo fúnebre pelas ruas de Roma. Durante três dias, mais de 250 mil pessoas passaram pela Basílica de São Pedro para se despedir do líder religioso.
O cardeal Giovanni Battista Re, que presidiu a cerimônia, destacou na homilia a trajetória pastoral de Francisco, lembrando seus apelos incessantes pela paz, a defesa dos refugiados e a luta contra a desigualdade social.
Momentos de forte comoção foram registrados quando o caixão, carregado por clérigos e escoltado por representantes das Forças Armadas, foi posicionado diante do altar montado na praça e, posteriormente, conduzido em papamóvel pelas ruas históricas de Roma, incluindo a passagem pelo Coliseu.
Líderes globais presentes
A cerimônia reuniu 52 chefes de Estado, 14 primeiros-ministros e representantes de 12 monarquias. Estiveram presentes, entre outros, os presidentes Donald Trump (EUA), Volodymyr Zelensky (Ucrânia), Emmanuel Macron (França), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Javier Milei (Argentina).
O funeral também proporcionou encontros diplomáticos relevantes, como a breve reunião entre Trump e Zelensky, considerada “produtiva” pelos respectivos governos, e diálogos com outras lideranças, como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior
O caixão de Francisco foi sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, local escolhido por ele em vida. A lápide de mármore, confeccionada com ardósia da Ligúria, região de origem dos seus antepassados, exibe apenas a inscrição “Franciscus”, em latim, respeitando a simplicidade solicitada pelo próprio papa.
O sepultamento, realizado em cerimônia privada, foi acompanhado por representantes do clero e um grupo de 50 pessoas em situação de vulnerabilidade, em homenagem à prioridade que Francisco sempre conferiu aos pobres e excluídos.
Contexto histórico e legado
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936, foi o primeiro papa sul-americano e o primeiro não europeu em quase 13 séculos. Seu papado, iniciado em 13 de março de 2013, foi marcado por uma forte ênfase na justiça social, defesa ambiental, acolhimento dos migrantes e pela busca incessante pela paz.
Francisco reformulou ritos tradicionais do Vaticano, simplificando processos e símbolos papais, como a decisão de não utilizar os tradicionais três caixões entrelaçados de cipreste, chumbo e carvalho, optando por um único caixão de madeira com revestimento de zinco.
Seu falecimento aos 88 anos, no dia 21/04/2025, foi causado por insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral, conforme divulgado pelo Vaticano.
Preparativos para o conclave
Com o encerramento do funeral, a atenção se volta agora para a escolha do novo pontífice. 135 cardeais eleitores, todos com menos de 80 anos, participarão do conclave na Capela Sistina. Segundo o calendário previsto, o processo de escolha deve iniciar entre os dias 06 e 10 de maio.
Dentre os brasileiros, sete cardeais estão habilitados a votar. Especialistas apontam que o futuro papa poderá dar continuidade à linha pastoral de Francisco ou representar uma inflexão conservadora, diante das tensões internas da Igreja.


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