Secretário Rodrigo Matos anuncia medidas para atendimento a pessoas com fibromialgia durante sessão na Câmara Municipal de Feira de Santana

Secretário de Saúde informou que novas ações serão implementadas ainda este ano no atendimento a pessoas com dor crônica.
Secretário de Saúde informou que novas ações serão implementadas ainda este ano no atendimento a pessoas com dor crônica.

O secretário municipal de Saúde de Feira de Santana, Rodrigo Matos, anunciou que a gestão irá apresentar novas medidas para o atendimento de pessoas com fibromialgia ainda em 2025. A declaração foi feita durante sessão especial na Câmara Municipal, promovida em alusão ao Dia de Conscientização da Fibromialgia, que será celebrado em 12 de maio.

Segundo o secretário, as ações serão planejadas para melhorar o tratamento de pessoas com dor crônica, com foco na eficiência dos serviços ofertados no município. “Trata-se de algo necessário. É urgente avançar em recursos para tratar quem convive com a fibromialgia”, afirmou. Matos destacou que os projetos serão elaborados para evitar desperdício de recursos públicos e que a proposta integra uma estratégia mais ampla para reconstruir o SUS em Feira de Santana.

A sessão especial foi uma iniciativa do vereador Pedro Américo (Cidadania) e contou com a presença de profissionais da área da saúde, representantes de associações e pacientes. O plenário e a galeria da Câmara ficaram lotados, evidenciando o interesse da sociedade civil no tema.

Entre os participantes da mesa de honra estavam, além do vereador propositor e do secretário de Saúde, a presidente da AFEFIBRO, Bárbara Cléia Lopes Fontes; a presidente do Conselho Municipal de Pessoas com Deficiência, Rosylene Oliveira Costa; e o presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Lauro de Freitas, Antonio Roberto dos Santos.

Rodrigo Matos reforçou que a Secretaria está aberta ao diálogo com as entidades representativas e que pretende implantar mudanças com celeridade, em articulação com o Executivo municipal.

“O compromisso é lutar por algo célere nesse sentido”, afirmou o secretário.

A fibromialgia é uma condição caracterizada por dor crônica generalizada, sendo reconhecida como um fator limitante para a vida funcional dos pacientes. O diagnóstico e o tratamento multidisciplinar são considerados essenciais para garantir qualidade de vida aos portadores.

Lei federal que garante medicamentos para fibromialgia não é aplicada em Feira de Santana, afirma AFEFIBRO

A lei federal que prevê o fornecimento de medicamentos gratuitos para pessoas com fibromialgia na rede pública de saúde não está sendo cumprida no município de Feira de Santana, conforme declarou a presidente da Associação Feirense de Pessoas com Fibromialgia (AFEFIBRO), Bárbara Cléia Lopes Fontes, durante sessão especial da Câmara Municipal.

O evento foi promovido pelo vereador Pedro Américo (Cidadania) como parte das atividades em alusão ao Dia de Conscientização da Fibromialgia, que será celebrado em 12 de maio. A sessão reuniu profissionais da saúde, representantes de conselhos e associações, além de pessoas diagnosticadas com a condição.

Segundo Bárbara Cléia, os medicamentos de uso contínuo indicados para o tratamento da fibromialgia não estão sendo disponibilizados pela rede pública local.

“Não estão sendo ofertadas. Estou falando de medicações contínuas e caras, em torno de R$ 200 cada”, afirmou.

Ela destacou que a aquisição desses remédios representa uma sobrecarga financeira para os pacientes, que precisam arcar com outras despesas relacionadas à saúde.

Durante sua fala, a presidente da AFEFIBRO destacou que a implementação da legislação vigente depende da articulação entre os governos municipal, estadual e federal, e reforçou que o apoio do Legislativo local é fundamental para o cumprimento efetivo dos direitos das pessoas com fibromialgia.

“Há uma necessidade clara de apoio para que leis sejam cumpridas e medidas adotadas”, disse.

Diagnosticada há 14 anos, Bárbara Cléia relatou as limitações impostas pela condição. Segundo ela, a dor constante restringe suas atividades físicas e compromete sua produtividade profissional.

“Consigo apenas ir para o pilates. Não faço outra coisa de atividade física que não seja essa. E olhe que eu cheguei a ser triatleta”, relatou.

Ela também contestou percepções equivocadas sobre a fibromialgia, como a ideia de que se trata de um problema psicológico ou sem gravidade clínica. De acordo com sua experiência, a doença é incapacitante e frequentemente associada a outras condições de saúde, como a depressão.

“É uma luta diária poder ficar de pé”, declarou.

Durante a sessão, representantes de entidades e profissionais de saúde também discutiram formas de ampliar o acolhimento e garantir acesso a diagnóstico, tratamento e medicação para quem convive com fibromialgia. O evento evidenciou a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas às doenças crônicas e à inclusão de pacientes nos programas de saúde municipais.

Quase 500 pessoas convivem com fibromialgia em Feira de Santana, aponta advogada 

Mais de 480 pessoas convivem com fibromialgia no município de Feira de Santana, conforme informou a advogada especializada em Direito Previdenciário, Cristine Nascimento, durante a sessão especial na Câmara Municipal.

A advogada destacou que os pacientes enfrentam dificuldades no diagnóstico da fibromialgia, que ainda não possui Classificação Internacional de Doenças (CID) específica. Segundo ela, essa lacuna compromete a obtenção de diagnósticos formais e o reconhecimento da condição no ambiente de trabalho e nos serviços de saúde.

Cristine afirmou que os pacientes frequentemente recorrem a diversos profissionais de saúde sem obter diagnóstico conclusivo, o que prejudica o início do tratamento.

“Vivem indo de médico em médico, sem obter o diagnóstico, muitas vezes sendo atendidos com descrença”, relatou.

Outro ponto abordado foi a fragilidade do atendimento nos hospitais públicos, onde, segundo ela, as medicações prescritas atuam apenas como paliativos, não garantindo o controle eficaz da dor crônica característica da fibromialgia.

No campo trabalhista, a advogada observou que algumas pessoas diagnosticadas não conseguem manter vínculo profissional devido às limitações impostas pela doença, enquanto outras dependem da compreensão dos empregadores para seguir exercendo suas atividades. No entanto, essa compreensão nem sempre ocorre por falta de registro clínico oficial reconhecido.

Cristine questionou:

“Como o empregador pode se compadecer da dor do seu funcionário se não há a possibilidade real de um diagnóstico?”. A ausência de um CID específico, segundo ela, prejudica o acesso a benefícios previdenciários e direitos trabalhistas.


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