Sexta-feira, 18/04/2025 — A Sexta-feira Santa, um dos momentos mais solenes do calendário litúrgico cristão, é marcada pela ausência de canto, música e celebração eucarística nas igrejas. O silêncio, a oração e a contemplação ocupam o centro da liturgia, em memória da Paixão e da morte de Jesus Cristo. As cerimônias do dia convidam os fiéis à adoração da cruz e à meditação sobre o sacrifício de Cristo como caminho para a salvação.
O evangelho segundo João descreve: “Jesus, sabendo que tudo estava consumado, disse:
‘Tenho sede’. […] Tomou o vinagre e disse: ‘Está consumado’. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 18, 28-30).
Este trecho orienta a reflexão central deste dia, no qual os cristãos recordam o sacrifício de Jesus e a sua entrega total.
Adoração da Cruz e o silêncio litúrgico como expressão de reverência
A Adoração da Cruz constitui o ponto alto da liturgia da Sexta-feira Santa. A cruz é apresentada à assembleia como símbolo do sofrimento redentor de Cristo. Os fiéis são convidados a se aproximar, tocar e beijar o madeiro, em gesto de veneração e reconhecimento do dom da salvação.
A cruz é entendida como presente desde o Batismo até os últimos momentos da vida cristã, passando pela Reconciliação e a Unção dos Enfermos. Por meio da contemplação da Cruz, os fiéis reconhecem Cristo como aquele que carrega os pecados da humanidade e oferece, com sua morte, a redenção eterna.
Estrutura da liturgia da Sexta-feira Santa
A celebração deste dia é composta por três partes essenciais:
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Liturgia da Palavra: proclamação dos textos sagrados relacionados à Paixão;
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Adoração da Cruz: momento central da cerimônia, com a exibição do símbolo cristão;
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Comunhão: sem Missa, os fiéis recebem a Eucaristia consagrada no dia anterior.
A Igreja orienta a prática do jejum e abstinência de carne, recordando o caráter penitencial da data. A Sexta-feira Santa, tradicionalmente ligada ao dia 14 do mês judaico de Nissan, foi incorporada desde os primeiros séculos do cristianismo como dia de recolhimento e reverência.
Via-Sacra: percurso espiritual da dor de Cristo
A Via-Sacra, ou Via Crucis, é uma prática devocional que remonta às peregrinações dos primeiros cristãos a Jerusalém. Consiste em percorrer espiritualmente 14 estações, que representam cenas marcantes da trajetória de Jesus até o Calvário. O rito foi introduzido na Europa no século XV pelo beato Álvaro de Zamora e propagado pelos Frades Menores.
As 14 estações incluem momentos como:
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Cristo é condenado à morte
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Jesus carrega a cruz
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Jesus cai pela primeira vez
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Jesus encontra sua mãe
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Simão Cirineu ajuda Jesus
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Verônica enxuga o rosto de Jesus
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Jesus cai pela segunda vez
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Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
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Jesus cai pela terceira vez
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Jesus é despojado de suas vestes
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Jesus é pregado na cruz
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Jesus morre na cruz
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Jesus é descido da cruz
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Jesus é colocado no sepulcro
Essa prática favorece a interiorização do sofrimento de Cristo e fortalece a fé dos devotos ao identificar a dor do Redentor com as dores da humanidade.
Reflexão papal durante a Jornada Mundial da Juventude
Durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada em 2023 em Lisboa, o Papa Francisco conduziu a Via-Sacra ao lado de milhares de jovens. Em suas palavras, o Pontífice afirmou:
“A Cruz é o maior significado do amor maior”.
O Papa destacou que a Cruz da Jornada simboliza a disposição de Cristo de caminhar com a humanidade, ressaltando que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”.
A simbologia da Cruz na espiritualidade cristã
A Sexta-feira Santa, embora envolva silêncio e recolhimento, não é um dia de luto, mas sim de profunda contemplação sobre o amor divino. A tradição ensina que a cruz deve ser acompanhada com amor até o fim, pois representa a vitória do sacrifício sobre o pecado. Como afirma o profeta Isaías:
“Ele tomou sobre si as nossas dores” (Is 52,13–53,12).
A experiência da Sexta-feira Santa orienta os fiéis a enxergar a Cruz como fonte de consolo nas dores humanas e como ponto de encontro com o mistério salvífico de Deus.

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