Terceira Fase da Operação Overclean identificou obstrução de Justiça, destruição de provas, manipulação de informações e rede criminosa em Salvador, SP, Aracaju e BH

A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (03/04/2025) novas buscas na residência do empresário José Marcos Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, no âmbito da terceira fase da Operação Overclean, que investiga um complexo esquema de desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro com ramificações em diversos estados brasileiros.

O endereço localizado em Salvador foi alvo de mandado de busca e apreensão. No local, os agentes encontraram um acervo de quase 100 joias e novos documentos que, segundo a PF, reforçam a suspeita de obstrução de Justiça por parte de Moura. A corporação solicitou prisão preventiva do empresário pela segunda vez, mas o pedido foi negado pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), após parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Secretário afastado com dólares e euros em cofre

Outro personagem central desta fase da operação é o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Oitaven Barral, que foi afastado do cargo por decisão do STF. Durante buscas em sua residência, a Polícia Federal apreendeu maços de dólares e euros, joias e relógios de alto valor, guardados em um cofre.

A nomeação de Barral para a pasta ocorreu em abril de 2024 com apoio político de ACM Neto (União Brasil) e do próprio José Marcos Moura. A conexão entre ambos é considerada um dos focos centrais da investigação, que mira a relação entre articulações políticas e contratos públicos fraudulentos.

Indícios de obstrução: destruição de provas e manipulação de informações

Além da atuação direta de Moura, a PF investiga a participação do empresário Alex Parente, que já havia sido citado em fases anteriores da Overclean. Nesta etapa, há indícios de que Parente tenha destruído provas e manipulado dados para comprometer o andamento das investigações. A possível interferência no curso da apuração criminal se soma aos elementos que sustentam a tese de obstrução de Justiça.

Como operava o esquema

A suposta organização criminosa utilizava fraudes em licitações e contratos superfaturados como instrumentos para desviar recursos públicos, com apoio de agentes públicos e operadores privados. Os crimes investigados incluem:

  • Corrupção ativa e passiva

  • Peculato

  • Fraude em licitação

  • Lavagem de dinheiro

  • Obstrução de Justiça

A Polícia Federal estima que o esquema tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão, com origem em emendas parlamentares e convênios federais. Os contratos suspeitos estavam vinculados principalmente ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).

Expansão e articulação política

As apurações apontam que o núcleo da organização criminosa foi estruturado na Coordenadoria Estadual do DNOCS na Bahia, com ramificações em Salvador, São Paulo, Aracaju e Belo Horizonte. O grupo direcionava verbas públicas para empresas ligadas a aliados políticos, especialmente no setor de coleta de lixo e serviços urbanos.

Segundo a PF, José Marcos Moura ocupava papel estratégico como articulador e financiador de campanhas políticas, o que facilitava a obtenção de contratos milionários com dispensa de licitação ou mediante favorecimentos indevidos.

Linha do Tempo: Operação Overclean

Fase 1 – Início das Investigações

Data: 2023
Foco: Apuração preliminar sobre fraudes em contratos de coleta de lixo em municípios da Bahia.
Contexto: Suspeitas sobre empresas ligadas a José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, começam a ser formalizadas com apoio da CGU.

Fase 2 – Aprofundamento das Provas

Data: 2024
Foco: Expansão do objeto investigativo para contratos firmados com o DNOCS.
Ações:

  • Primeira busca e apreensão na residência de Moura.

  • Identificação de vínculos com emendas parlamentares direcionadas.

  • Constatação de superfaturamento em obras públicas.

Fase 3 – Deflagração Nacional

Data: 03/04/2025
Foco: Obstrução de Justiça, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Ações:

  • Segunda busca na casa de José Marcos Moura (Salvador).

  • Apreensão de quase 100 joias e novos documentos.

  • Afastamento de Bruno Barral, secretário de Educação de Belo Horizonte, com apreensão de dólares, euros, joias e relógios em cofre.

  • Novas ordens judiciais em Salvador, São Paulo, Aracaju e Belo Horizonte.

  • Nome de Alex Parente retorna ao centro das investigações por destruição de provas.

Análise de Impacto Político

1. Envolvimento de figuras com base eleitoral consolidada

A operação expõe a interligação entre contratos públicos, emendas parlamentares e articulações político-partidárias. O apoio de ACM Neto (União Brasil) a Bruno Barral, somado à influência do empresário José Marcos Moura em setores estratégicos como a limpeza urbana, revela um modelo de captura do Estado local.

2. Potenciais repercussões em eleições municipais e estaduais

O impacto político da operação tende a crescer à medida que a PF revela vínculos entre contratos fraudulentos e campanhas eleitorais. O envolvimento de ex-prefeitos e figuras de peso do União Brasil na Bahia e em Minas Gerais pode comprometer projetos eleitorais para 2026, especialmente em áreas urbanas onde os contratos investigados têm forte presença.

3. Fortalecimento da atuação da PF e CGU no controle de verbas

A Overclean reforça uma nova etapa de ações conjuntas entre Polícia Federal e Controladoria-Geral da União, com foco em emendas parlamentares e convênios federais. Isso pode gerar maior fiscalização preventiva e pressão sobre congressistas e gestores municipais, além de fortalecer o papel dos órgãos de controle no debate político nacional.

*Com informações de Veja, Metrópoles e Folha de S.Paulo.

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