Com um discurso marcado por críticas indiretas e diretas ao Governo Lula, os partidos União Brasil e Progressistas (PP) oficializaram nesta terça-feira (29/04/2025) a criação da Federação União Progressista, consolidando-se como a maior força política no Congresso Nacional, com 109 deputados federais e 14 senadores. O lançamento ocorreu no Salão Negro da Câmara dos Deputados, em Brasília, e teve a presença de lideranças nacionais, mas também revelou impasses internos que ainda precisam ser superados.
Críticas ao governo e proposta de “choque de prosperidade”
A nova federação, mesmo contando com quatro ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adotou um discurso oposicionista, defendendo um “choque de prosperidade” para o país e posicionando-se contra o que consideram um Estado ineficiente e intervencionista.
“O Estado não pode continuar sendo um obstáculo à prosperidade”, diz o manifesto divulgado durante o evento, que também prega uma reforma administrativa, responsabilidade fiscal e social e o papel do capital privado como motor do crescimento econômico.
O documento ainda critica a estagnação econômica e destaca a ausência de políticas efetivas para incorporação dos beneficiários de programas sociais ao mercado de trabalho. Há menções elogiosas ao Plano Real — numa crítica implícita ao PT — e à necessidade de equilíbrio institucional com inovação.
Presenças estratégicas e ausência de ministros na tribuna
Apesar da presença dos ministros André Fufuca (Esporte, PP) e Celso Sabino (Turismo, União Brasil), nenhum deles foi convidado a discursar. Os organizadores optaram por manter o foco em lideranças legislativas e estaduais.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, criticou a estagnação econômica e os escândalos de corrupção. Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), recebeu destaque ao discursar sobre a violência e a pobreza no país e foi apontado como possível pré-candidato à Presidência da República em 2026, condicionado a alcançar 10% das intenções de voto até março de 2026.
Estrutura, comando provisório e divergências internas
A federação nasce com grande estrutura partidária: além da maior bancada na Câmara e Senado, a União Progressista reúne aproximadamente 1.400 prefeitos e 12 mil vereadores. O comando será compartilhado entre Antonio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP) até dezembro de 2025, quando será realizada uma eleição interna para definir a direção definitiva.
Contudo, a federação ainda não possui um presidente oficial, devido a divergências entre lideranças. Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, pleiteava o posto, mas Rueda impôs a condição de assumir o comando, gerando um impasse resolvido temporariamente com a “cogestão”.
Conflitos regionais e articulações futuras
Outro desafio será a unificação das estratégias eleitorais nos estados, onde há conflitos locais, como na Bahia. Neste estado, parte do PP apoia o governador petista Jerônimo Rodrigues, enquanto o União Brasil é liderado por ACM Neto, opositor ao governo estadual.
“Teremos todo o ano de 2025 para conversar”, afirmou o senador Efraim Filho (União Brasil-PB). “Nos estados onde não houver consenso, a federação decidirá qual projeto tem mais viabilidade eleitoral.”
A possibilidade de apoio a candidatos diferentes nas disputas proporcionais também foi admitida, como forma de evitar desfiliações e preservar bancadas locais.
Repercussão política e projeções para 2026
A aliança, embora oficialmente registrada como federação, funcionará como um partido unificado pelos próximos quatro anos, inclusive nas eleições municipais e estaduais. Segundo os articuladores, trata-se de uma resposta à fragmentação partidária e uma tentativa de reorganizar o centro político.
O evento contou com a presença de lideranças de outras siglas, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A movimentação sinaliza uma articulação mais ampla no campo da direita e do centro, com vistas à sucessão presidencial de 2026.










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