Na quinta-feira (29/05/2025), dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) indicam que o Ambulatório de Infectologia de Feira de Santana registrou 28 atendimentos por esporotricose entre janeiro e a primeira quinzena de maio de 2025. A doença, causada pelo fungo Sporothrix, afeta pessoas de 2 a 73 anos, sendo que dois pacientes já receberam alta médica.
O ambulatório conta com dois médicos infectologistas que realizam atendimentos às quartas e quintas-feiras, atendendo pacientes encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF).
A enfermeira e referência técnica do serviço, Livia Santana, explica os métodos de diagnóstico.
“O diagnóstico pode ser clínico-epidemiológico — feito com base nos sinais observados durante a consulta — ou confirmado por exame laboratorial, com análise micológica”, afirmou.
Entre os principais sintomas observados estão lesões cutâneas com trajeto linfático, que podem evoluir para úlceras ou nódulos, principalmente nos braços até a região das axilas, além de mal-estar e, em alguns casos, febre.
Após a confirmação, o tratamento com antifúngicos é iniciado e oferecido gratuitamente pela rede municipal. A duração da terapia varia entre três a seis meses, podendo chegar a até um ano em casos de baixa imunidade ou adesão insuficiente ao tratamento.
Segundo o Ambulatório, os bairros com maior incidência de casos são Santa Mônica, Chácara São Cosme, Jardim Acácia, Novo Horizonte e Campo Limpo.
Comparativamente, em 2024 o ambulatório registrou 41 atendimentos por suspeita da doença, contra 50 casos em 2023.
“Acreditamos que a redução está relacionada às ações educativas promovidas pela Secretaria de Saúde, como capacitações para profissionais e palestras informativas no ambulatório, com foco na prevenção”, acrescentou Livia Santana.
A enfermeira também esclareceu sobre a transmissão da doença por animais domésticos, especialmente gatos.
“O gato pode ser contaminado ao cavar ou arranhar locais com o fungo. Ao morder, lamber ou arranhar uma pessoa, pode transmitir a infecção”, detalhou.
No Brasil, a espécie Sporothrix brasiliensis é a principal causadora das infecções em humanos e animais.
Casos em animais
A Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) realizou até maio de 2025 73 atendimentos a gatos suspeitos de esporotricose, com 12 confirmações laboratoriais positivas e oito resultados negativos. Outros 33 casos foram diagnosticados clinicamente, enquanto 20 atendimentos se referem a outras demandas.
No acumulado de 2024, a UVZ registrou 402 atendimentos a gatos com suspeita da doença, dos quais 53 foram confirmados laboratorialmente, 23 negativos, e 176 diagnosticados clinicamente. Os demais casos incluíram óbitos, evasões ou ausência de sintomas.
A coordenadora da UVZ, Mirza Cordeiro, orienta os tutores em casos suspeitos.
“Mesmo antes do resultado, o tratamento é iniciado e o animal deve permanecer em isolamento domiciliar, conforme orientação técnica”, afirmou.
Os tutores assinam termo com as orientações para o isolamento do animal e o acompanhamento veterinário adequado.








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