Aquecimento global seguirá em níveis sem precedentes nos próximos anos, alerta ONU

Relatório da Organização Meteorológica Mundial prevê continuidade do aumento das temperaturas globais até 2030.
Relatório da Organização Meteorológica Mundial prevê continuidade do aumento das temperaturas globais até 2030.

O planeta continuará enfrentando um nível sem precedentes de aquecimento global nos próximos anos, segundo relatório divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), com base em dados do Serviço Meteorológico do Reino Unido e de 10 centros internacionais de pesquisa climática.

O levantamento reforça que 2023 e 2024 foram os anos mais quentes já registrados, com tendência de continuidade do aumento das temperaturas até pelo menos o início da década de 2030.

Acabamos de viver os 10 anos mais quentes já registrados. Infelizmente, este relatório da OMM não apresenta indícios de que isso vá mudar”, afirmou Ko Barrett, secretária-geral adjunta da OMM.

O relatório destaca que o aquecimento médio de 1,5°C, calculado em relação ao período pré-industrial (1850-1900), está próximo de ser superado. Esse patamar foi estabelecido como limite no Acordo de Paris, de 2015, para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

O climatologista Peter Thorne, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, reforçou que a meta está cada vez mais distante:

Está totalmente de acordo com o fato de que estamos perto de superar 1,5°C a longo prazo no final da década de 2020 ou início da década de 2030.”

Estimativas próximas de 1,4°C

O relatório explica que, para calcular o aquecimento médio, são combinadas observações dos últimos 10 anos com projeções dos próximos 10 anos, resultando em uma média de 1,44°C no período de 2015 a 2034.

Não há consenso sobre o cálculo exato, mas a estimativa é próxima de 1,44°C”, alertou Christopher Hewitt, diretor dos serviços climáticos da OMM.

Essa média está alinhada com os dados do observatório europeu Copernicus, que apontam um aquecimento de 1,39°C.

Possibilidade de superar 2°C

Embora considerado “excepcionalmente improvável”, o relatório da OMM indica uma probabilidade de 1% de que um dos próximos cinco anos supere o limite de 2°C.

É a primeira vez que vemos isso em nossas previsões. É um choque, apesar de pensarmos que seria plausível a esta altura”, declarou Adam Scaife, do Serviço Meteorológico do Reino Unido.

Scaife lembrou que, há uma década, as previsões já apontavam a possibilidade — também baixa na época — de se ultrapassar 1,5°C, o que de fato ocorreu em 2024.

Impactos do aquecimento

O relatório alerta que cada fração de grau adicional agrava os eventos climáticos extremos, como ondas de calor, tempestades, secas e derretimento de geleiras e calotas polares.

Já atingimos um nível perigoso de aquecimento global, com inundações fatais recentes na Austrália, França, Argélia, Índia, China e Gana, além de incêndios no Canadá”, destacou Friederike Otto, cientista do Imperial College de Londres.

Ela complementou: “Continuar dependendo de petróleo, gás e carvão em 2025 é uma escolha insustentável.”

Tendências regionais e globais

De acordo com a OMM, o aquecimento no Ártico continuará acima da média global, com redução na concentração de gelo marinho nos mares de Barents, Bering e Okhotsk.

As projeções também indicam:

  • Mais chuvas no sul da Ásia, Sahel, norte da Europa, Alasca e norte da Sibéria;

  • Secas mais intensas na bacia do Amazonas;

  • Aumento da umidade em regiões específicas e redução da cobertura de gelo nas zonas polares.

O relatório reforça a urgência na redução das emissões de gases de efeito estufa, uma vez que a queima de carvão, petróleo e gás natural permanece como principal fonte de dióxido de carbono (CO₂), responsável pelo agravamento da mudança climática.

*Com informações da RFI.


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