A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou, na quinta-feira (15/05/2025), uma audiência pública com o objetivo de debater os rumos da Micareta, principal festa popular do município e uma das maiores do país fora do Carnaval. A iniciativa partiu do vereador Pedro Américo (Cidadania), autor do requerimento que deu origem ao encontro. O evento reuniu representantes do poder público, artistas, produtores culturais, empresários, órgãos de segurança, imprensa e membros da sociedade civil.
Segundo Pedro Américo, o propósito da audiência foi ouvir sugestões e críticas de diferentes setores da população com vistas à construção coletiva de melhorias para a festa. As contribuições registradas serão organizadas e encaminhadas ao Poder Executivo, como parte de um processo contínuo de avaliação e reformulação da Micareta.
Planejamento antecipado e mudança de data
Um dos temas mais debatidos foi a possível alteração da data tradicional da Micareta, atualmente realizada em abril, para o mês de novembro. De acordo com os participantes, a mudança permitiria evitar o período de chuvas, melhorar o planejamento e facilitar a captação de patrocínios privados.
O produtor cultural Antônio Dyggs e o vereador Galeguinho (UB) defenderam a proposta, argumentando que a nova data pode contribuir para maior eficiência na organização e atrair maior investimento. A mudança, segundo eles, precisa vir acompanhada de ações integradas que promovam a sustentabilidade econômica e cultural do evento.
Valorização de artistas locais e critérios de contratação
A valorização dos artistas de Feira de Santana foi outra pauta central da audiência. Representantes da Associação de Bandas e Artistas do Município (BANDAFS), como Léo Águia, relataram dificuldades enfrentadas na edição mais recente da festa, incluindo redução de cachês, ausência de trio elétrico para apresentações e falta de transparência nos critérios de seleção.
O músico Charles Wagner e o artista Tom Brown criticaram o não credenciamento para contratação de atrações e solicitaram critérios claros e democráticos. Também pediram revisão na denominação de espaços para refletir melhor as tradições culturais da cidade, como a sugestão de nomeação do Palco Reggae Jorge de Angélica.
Resposta do poder público
O diretor de Eventos da Secretaria de Cultura e Lazer do Município, Naron Vasconcelos, representou a gestão municipal e respondeu às críticas. Segundo ele, não houve exclusão de artistas locais nem ausência de trios elétricos, e eventuais falhas pontuais, como no caso da banda Revolusamba, foram resolvidas durante o evento.
Naron garantiu o cumprimento da legislação vigente, que determina um percentual mínimo de participação de atrações locais, e afirmou que mais de 80% da grade artística foi composta por músicos da cidade. Ele destacou que muitas bandas e artistas não apresentaram documentação exigida, o que impossibilitou suas contratações. O gestor defendeu a profissionalização do setor artístico como condição para maior inclusão nas próximas edições.
Propostas para fortalecimento da festa
Durante a audiência, foram apresentadas propostas para o fortalecimento estrutural e institucional da Micareta. O diretor do bloco “Lá Vem Elas”, Valter Lima, sugeriu a criação da Expo-Micareta, um evento paralelo que funcione como fórum permanente de planejamento, capacitação e escuta das categorias envolvidas.
A produtora cultural Patrícia Sangalo propôs a criação de um comitê gestor permanente, com ampla representatividade da sociedade civil, para acompanhar a organização da festa ao longo do ano. A proposta foi reforçada por artistas como Roberto Kuelho, que defendeu maior integração entre o poder público e os agentes culturais.
Essas sugestões visam à criação de um processo contínuo de diálogo e curadoria, envolvendo escolas de samba, blocos afros, entidades culturais e setores econômicos relacionados à Micareta.
Próximos passos
De acordo com o vereador Pedro Américo, todas as sugestões e reivindicações foram registradas em ata, que servirá de base para as próximas rodadas de diálogo com o Executivo. O parlamentar afirmou que pretende dar continuidade aos debates e buscar formas de transformar as propostas em ações efetivas de política pública cultural.
A audiência, segundo ele, representa o início de uma nova abordagem para a Micareta, baseada na participação democrática, no fortalecimento da cultura local e na promoção de uma festa mais inclusiva e sustentável.
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