Bombardeios de Israel matam 52 pessoas em Gaza e atingem escola com deslocados

Pelo menos 52 pessoas morreram nesta segunda-feira (26/05/2025) em bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, de acordo com informações da Defesa Civil palestina. Entre as vítimas, 33 estavam abrigadas na escola Fahmi AlJarjaoui, na Cidade de Gaza, local que, segundo o Exército de Israel, abrigava “terroristas” do Hamas.

Detalhes do ataque e justificativa militar

O porta-voz da Defesa Civil, Mahmoud Bassal, informou que o bombardeio também deixou dezenas de feridos, a maioria crianças. As forças israelenses afirmam que o alvo era um centro de comando do Hamas, e acusam o grupo de utilizar escolas e hospitais como bases operacionais.

Além do ataque à escola, outras 19 pessoas morreram em um bombardeio em Jabalia, no norte do enclave. O Exército israelense também confirmou que três projéteis foram lançados a partir do sul da Faixa de Gaza, dos quais um foi interceptado e dois caíram dentro do próprio território palestino.

Contexto da ofensiva israelense

A atual ofensiva militar foi retomada em março de 2025, após dois meses de trégua, e intensificada em 17 de maio. O governo de Israel afirma que os objetivos são eliminar o Hamas, libertar os reféns sequestrados e assumir o controle total da Faixa de Gaza.

O conflito teve início após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.218 pessoas em Israel, majoritariamente civis. Das 251 pessoas sequestradas na ocasião, 57 permanecem em cativeiro, e 34 foram declaradas mortas, segundo autoridades israelenses.

Números da crise humanitária

Desde o início da ofensiva, o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, registra mais de 53.900 mortes de palestinos, em sua maioria civis. A ONU reconhece esses dados como confiáveis.

A população da Faixa de Gaza enfrenta uma grave crise humanitária, com escassez de alimentos, água, combustível e medicamentos. Israel bloqueia a entrada de ajuda humanitária há mais de dois meses, tendo autorizado uma liberação parcial apenas na última semana, considerada insuficiente por organizações internacionais.

Pressão internacional e reação da União Europeia

A escalada do conflito gerou reação de aliados históricos de Israel. A União Europeia anunciou a revisão do acordo de associação com o país. O chanceler da Espanha, José Manuel Albares, declarou que Madri solicitará a suspensão imediata do acordo, um embargo de armas e sanções individuais contra Israel.

“Para interromper essa guerra e permitir a entrada de ajuda humanitária de forma massiva e neutra, é necessário considerar sanções”, afirmou Albares.

Críticas à ajuda humanitária apoiada pelos EUA

No mesmo dia, o chefe da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), Jake Wood, renunciou ao cargo. Segundo ele, não é possível conduzir a operação mantendo os princípios de neutralidade e independência.

A GHF, com sede em Genebra e criada com apoio dos Estados Unidos, planeja distribuir 300 milhões de refeições em 90 dias, beneficiando mais de 1 milhão de palestinos até o final da semana. A fundação afirma que os caminhões estão prontos para iniciar a operação, mas não há confirmação sobre o início das entregas, nem detalhes sobre a logística em meio aos combates.

A ONU e outras organizações não governamentais informaram que não participarão da distribuição, acusando a GHF de colaborar com Israel e violar os princípios de imparcialidade, neutralidade e independência humanitária.

A ONG Trial International solicitou na sexta-feira (23/05/2025) às autoridades suíças que iniciem uma investigação administrativa contra a GHF, especialmente pelo uso planejado de empresas privadas de segurança no transporte da ajuda humanitária.

*Com informações da RFI.


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