O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana (BA), promoveu uma roda de conversa epidemiológica como parte da campanha nacional do Maio Amarelo, dedicada à conscientização sobre a segurança no trânsito. O encontro, realizado no auditório da unidade, contou com a participação de gestores públicos, profissionais da saúde, autoridades de trânsito e membros da comunidade, e teve como foco os impactos dos acidentes viários na rede hospitalar.
De acordo com a diretora-geral do HGCA, Cristiana França, a maior parte dos casos atendidos no hospital decorre de acidentes com motocicletas, representando 77% dos 5.270 atendimentos registrados apenas em 2024. Esses atendimentos geram longas internações, utilização intensiva de materiais médicos e ocupação prolongada de leitos, o que compromete a capacidade de resposta da unidade.
“O custo com órteses, próteses e materiais especiais (OPME) ultrapassou R$ 2,5 milhões entre 2023 e 2024. Essa sobrecarga prejudica o fluxo interno do hospital e afeta diretamente o atendimento a outros pacientes”, declarou Cristiana.
Para a gestora, ações educativas e campanhas contínuas são fundamentais para reduzir a incidência dos acidentes. Ela defende que a prevenção deve começar nas escolas e contar com o envolvimento ativo de empresas, órgãos públicos, mídia e sociedade civil.
A coordenadora do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE), Ângela Carvalho, apresentou dados nacionais que reforçam a gravidade do problema. Segundo o Sistema Nacional de Informação de Segurança Pública, mais de 25 mil mortes por acidentes de trânsito foram registradas no Brasil em 2024, podendo ultrapassar 50 mil em estimativas mais abrangentes.
“O trânsito é um problema de saúde pública que vai além das estatísticas. Ele destrói famílias e impacta o sistema como um todo. A prevenção precisa considerar o comportamento de todos os usuários das vias”, afirmou Ângela.
O superintendente municipal de trânsito, Ricardo da Cunha Oliveira, ressaltou que a parceria com o HGCA é essencial para identificar áreas críticas e planejar ações específicas de prevenção. Segundo ele, dados fornecidos pelo hospital orientam políticas públicas e estratégias de fiscalização mais eficazes.
Ricardo também destacou a necessidade de campanhas educativas que provoquem mudanças reais de comportamento, com continuidade ao longo de todo o ano. “Feira de Santana tem cerca de 350 mil veículos automotores, e é o maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste. Isso exige ações estruturadas, como a retomada da Operação Lei Seca, que já demonstrou impacto positivo na redução de acidentes graves”, concluiu.









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