Cientista Social propõe Polo Industrial de Biociência em Feira de Santana com foco na Nova Economia

Domingo (18/05/2025) – O jornalista e cientista social Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia, apresentou proposta preliminar para a criação de um Polo Industrial de Biociência, Fármacos, Vacinas e Bioinsumos em Feira de Santana (BA). A iniciativa tem como objetivo suprir a crescente demanda das redes hospitalares públicas e privadas das regiões Norte e Nordeste, com foco inicial no fornecimento de insumos ao Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de uma cadeia produtiva privada e de alta tecnologia.

A proposta está ancorada em ações recentes de diplomacia econômica, como as missões lideradas no mês de maio de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, à China, e parte de um diagnóstico sobre a defasagem educacional e tecnológica das universidades públicas da região. Carlos Augusto defende a readequação curricular e estrutural da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), para alinhamento com as exigências da Nova Economia e da Quarta Revolução Industrial.

Feira de Santana como plataforma estratégica

Localizada no maior entroncamento rodoviário do Norte/Nordeste, Feira de Santana conecta e influencia cerca de 40 milhões de habitantes, com acesso facilitado ao Ferrovias, Porto de Salvador, ao Porto de Aratu e ao Aeroporto Internacional de Salvador. A cidade já abriga três distritos industriais consolidados, como o Centro Industrial do Subaé (CIS), além de estrutura hospitalar robusta.

Justificativas para o Polo

Geoeconomia e logística:

  • Convergência das BRs 116 e 324;

  • Proximidade com portos e aeroportos estratégicos;

  • Alcance logístico regional ampliado.

Infraestrutura e serviços:

  • Existência de infraestrutura urbana consolidada;

  • Oferta de serviços hospitalares públicos e privados;

  • Potencial de transformação dos hospitais em unidades de validação tecnológica.

Capital humano e universidades:

  • Presença da UEFS e do campus da UFRB, com cursos nas áreas de saúde, química, biotecnologia e engenharia;

  • Núcleos como o Núcleo de Biotecnologia da UEFS, apto à transição para hub de pesquisa aplicada.

Estrutura proposta para o Polo Industrial

Eixos estruturantes:

  • Polo Industrial de biofármacos, imunobiológicos e dispositivos médicos;

  • Parque Tecnológico com governança tripartite (Estado, universidades e setor privado);

  • Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde com incubadoras;

  • Escola Técnica Industrial 4.0;

  • Conselho Gestor Interinstitucional para governança estratégica.

Reestruturação universitária:

  • UEFS: criação de programas de pós-graduação em áreas como Farmácia Industrial, Engenharia Biomédica e Biotecnologia;

  • UFRB: consolidação de cursos em Engenharia Química, Bioprocessos e Gestão Industrial;

  • Criação de núcleos conjuntos de pesquisa (UEFS/UFRB/Fiocruz/SENAI CIMATEC).

Objetivos estratégicos

  • Reduzir a dependência externa de insumos hospitalares;

  • Tornar Feira de Santana referência nacional em biotecnologia;

  • Atrair investimentos públicos e privados;

  • Gerar empregos qualificados e reter talentos;

  • Industrializar o setor de saúde com foco em inovação e sustentabilidade.

Etapas de implantação

Curto prazo (1 a 2 anos):

  • Estudo de viabilidade técnico-econômica;

  • Constituição de consórcio interinstitucional;

  • Criação de zoneamento urbano específico;

  • Captação de recursos junto a FINEP, BNDES e BID.

Médio prazo (3 a 5 anos):

  • Primeira fase do parque industrial;

  • Consolidação da formação técnica e universitária;

  • Instalação de fábricas-piloto de imunobiológicos.

Longo prazo (5 a 10 anos):

  • Feira como polo exportador de biotecnologia para América Latina e África lusófona;

  • Integração com redes do SUS;

  • Formação de uma rede de conhecimento e inovação contínua.

Mercado potencial

Demanda inicial:

  • Nordeste: 53 milhões de habitantes com acesso precário a vacinas e medicamentos de alto custo;

  • Norte: alta demanda em áreas remotas por imunobiológicos e bioinsumos;

  • Consórcios de saúde estaduais como compradores estratégicos.

Modelo para a Nova Economia

A proposta de implantação de um Polo Industrial de Biociência em Feira de Santana busca romper com o modelo econômico periférico centrado em serviços de baixa complexidade. Por meio de formação técnica qualificada, atração de investimentos em saúde e fomento à bioeconomia, a cidade pode se posicionar como um eixo da Nova Economia no Brasil, integrando ciência, indústria e políticas públicas de forma estratégica e sustentável.

Conceito estratégico de desenvolvimento territorial ancorado na Nova Economia e na saúde de base tecnológica

1. Introdução: Feira de Santana como plataforma de industrialização da Nova Economia

Feira de Santana, segundo maior município da Bahia em população e importância econômica, reúne condições geográficas, logísticas e institucionais para abrigar um Polo Industrial de Biociência, Fármacos, Vacinas e Bioinsumos voltado ao atendimento das redes hospitalares do Norte e Nordeste do Brasil. Esta iniciativa está ancorada na Nova Economia, centrada no conhecimento, inovação tecnológica e bioindústria, com forte ligação entre produção industrial, ciência aplicada e políticas públicas de saúde.

2. Justificativas estratégicas

2.1 Localização geoeconômica

  • Feira de Santana é o maior entroncamento rodoviário do Norte/Nordeste e conecta as principais capitais e polos industriais da região;

  • Está situada em uma macroárea de influência que abrange aproximadamente 40 milhões de habitantes, sendo porta de entrada para o sertão nordestino e corredor logístico da BR-116 e BR-324;

  • Conta com fácil acesso ao Porto de Aratu, Porto de Salvador e ao Aeroporto Internacional de Salvador.

2.2 Infraestrutura urbana e industrial

  • Possui três distritos industriais consolidados (Centro Industrial do Subaé, CIS), com capacidade de expansão e integração com novos polos de alta tecnologia;

  • Apresenta oferta diversificada de serviços hospitalares públicos e privados, que podem funcionar como hospitais-escola e laboratórios de validação tecnológica.

2.3 Capital humano e base universitária

  • Presença da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com cursos nas áreas de saúde, química, biotecnologia, engenharia e farmácia;

  • Existência de centros de pesquisa como o Núcleo de Biotecnologia da UEFS, que pode ser transformado em hub de pesquisa aplicada e transferência tecnológica.

3. Diretrizes do projeto de implantação do polo industrial

3.1 Eixos estruturantes

  • Polo Industrial Integrado com foco em biofármacos, imunobiológicos, bioinsumos hospitalares e dispositivos médicos;

  • Parque Tecnológico em Biociência com governança tripartite (Estado, universidades e setor produtivo);

  • Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde e Biotecnologia, com incubadoras e laboratórios de certificação;

  • Escola Técnica e Centro de Capacitação Industrial 4.0, voltado para formação técnica e tecnológica contínua;

  • Conselho Gestor Interinstitucional, com participação do poder público, universidades e empresas.

3.2 Reestruturação universitária

  • UEFS: readequação curricular e infraestrutura para abrigar programas de pós-graduação em Farmácia Industrial, Engenharia Biomédica, Biotecnologia e Ciência de Dados para Saúde;

  • UFRB (campus Feira de Santana): consolidação de cursos voltados para Engenharia Química, Bioprocessos e Gestão Industrial, com foco em bioeconomia e sustentabilidade;

  • Criação de núcleos conjuntos de pesquisa e desenvolvimento (UEFS/UFRB/Fiocruz/SENAI CIMATEC) em imunologia, engenharia de tecidos e fármacos bioativos.

4. Objetivos estratégicos do Polo

  • Impulsionar o desenvolvimento de um setor estratégico nacional, reduzindo a dependência de importação de insumos hospitalares e medicamentos;

  • Estabelecer Feira de Santana como centro logístico e tecnológico da saúde para o Norte e Nordeste;

  • Atrair investimentos nacionais e estrangeiros para a bioindústria, por meio de parcerias público-privadas, incentivos fiscais e fundos de inovação;

  • Gerar emprego qualificado, reter talentos e valorizar o conhecimento científico local;

  • Transformar o sistema produtivo regional por meio da industrialização de base tecnológica, alinhado aos princípios ESG (ambiental, social e de governança).

5. Etapas para viabilização

5.1 Curto prazo (1-2 anos)

  • Elaboração de estudo de viabilidade técnico-econômica;

  • Formação de consórcio interinstitucional (município, Estado, universidades e setor empresarial);

  • Criação de zoneamento específico para o Polo de Biotecnologia e Saúde;

  • Captação de recursos federais e internacionais (FINEP, BNDES, BID).

5.2 Médio prazo (3-5 anos)

  • Implantação da primeira fase do parque industrial com laboratórios e incubadoras;

  • Consolidação da formação universitária e técnica orientada à bioindústria;

  • Instalação de fábricas-piloto e unidades de produção de imunobiológicos.

5.3 Longo prazo (5-10 anos)

  • Feira de Santana como polo nacional de exportação de biotecnologia para América Latina e África lusófona;

  • Integração com polos de saúde do SUS, com fornecimento sistemático de bioinsumos e vacinas;

  • Geração de rede de conhecimento e inovação contínua.

6. Mercado potencial e demanda inicial

Regiões prioritárias de atendimento:

  • Nordeste: 53 milhões de habitantes, carência histórica de acesso a medicamentos de alto custo e vacinas estratégicas;

  • Norte: forte demanda por bioinsumos e imunobiológicos em áreas remotas e de difícil acesso;

  • Rede hospitalar pública e privada, com destaque para os consórcios de saúde da Bahia e Pernambuco.

7. Conclusão

O Polo de Biociência, Fármacos, Vacinas e Bioinsumos de Feira de Santana representa uma estratégia de desenvolvimento regional inteligente, voltada para a superação do modelo econômico periférico baseado em comércio e serviços de baixa produtividade. Ao requalificar sua base educacional e transformar sua estrutura industrial, o município poderá se afirmar como plataforma da Nova Economia no Brasil.


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