Covid-19 provoca maior queda na expectativa de vida da história recente no Brasil e no mundo, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, nesta semana, as Estatísticas Mundiais de Saúde de 2025, evidenciando que a pandemia de Covid-19 causou a maior queda na expectativa de vida da história recente, com um recuo de 1,8 anos entre 2019 e 2021 em escala global. O relatório aponta ainda para o aumento das mortes por doenças crônicas e um ritmo lento de recuperação dos avanços em saúde.

Entre 2019 e 2021, a expectativa de vida global sofreu o maior impacto desde o início da contagem sistematizada desses dados, revertendo uma década de progressos. Além do efeito direto da Covid-19, o documento registra que o aumento dos níveis de ansiedade e depressão associados à pandemia reduziu em cerca de 6 semanas a expectativa de vida saudável global, compensando quase totalmente os ganhos obtidos na diminuição da mortalidade por doenças crônicas.

O crescimento populacional e o envelhecimento da população impulsionam o aumento das mortes por condições como câncer e diabetes, principais causas de óbito em pessoas abaixo dos 70 anos em todo o mundo. A OMS identifica uma desaceleração no progresso geral da saúde, que já se manifestava antes da pandemia, seguida por uma recuperação gradual, porém insuficiente, no período pós-pandêmico.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, ressaltou que “por trás de cada dado há uma pessoa”, e destacou lacunas em acesso, proteção e investimento em saúde, especialmente para mulheres e meninas. Ele reforçou a necessidade de cada governo agir com “urgência, comprometimento e responsabilidade” para mitigar essas deficiências.

Apesar dos retrocessos, o relatório apresenta avanços como o fato de que cerca de 1,4 bilhão de pessoas passaram a viver de forma mais saudável até o final de 2024, superando a meta da OMS de 1 bilhão. Esses ganhos estão relacionados à redução do consumo de tabaco, à melhoria da qualidade do ar e ao melhor acesso a água, higiene e saneamento.

Por outro lado, a expansão da cobertura de serviços essenciais de saúde tem sido considerada lenta. Apenas 431 milhões de pessoas obtiveram acesso adicional a esses serviços sem enfrentar dificuldades financeiras. Além disso, a queda nas taxas de mortalidade materna e infantil está abaixo do ritmo necessário para alcançar as metas globais, com o progresso estagnado, o que coloca milhões de vidas em risco.

Entre 2000 e 2023, as mortes maternas reduziram mais de 40%, e as de crianças menores de 5 anos diminuíram para menos da metade, porém o atual quadro evidencia desafios como o subinvestimento na atenção primária, a escassez de profissionais qualificados e lacunas em serviços como imunização e parto seguro.

A OMS projeta um déficit de 11,1 milhões de profissionais de saúde até 2030, com cerca de 70% desse déficit concentrado nas regiões da África e do Mediterrâneo Oriental, o que pode agravar ainda mais as dificuldades no acesso a cuidados essenciais.

*Com informações da ONU News.


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