Documentário sobre Cacá Diegues estreia no Festival de Cannes no dia em que cineasta completaria 85 anos

Filme “Para Vigo Me Voy” integra a mostra Cannes Classics e presta homenagem ao diretor brasileiro.
Filme “Para Vigo Me Voy” integra a mostra Cannes Classics e presta homenagem ao diretor brasileiro.

O documentário “Para Vigo Me Voy”, que retrata a trajetória do cineasta Cacá Diegues, estreou nesta segunda-feira (19/05/2025) no Festival de Cannes, na mostra Cannes Classics. A exibição coincidiu com a data em que o diretor completaria 85 anos. Cacá Diegues morreu em fevereiro deste ano.

A obra, codirigida por Lirio Ferreira e Karen Harley, foi selecionada como homenagem à relevância de Diegues na história do cinema, especialmente no Cinema Novo. O diretor participou diretamente da produção, concedendo entrevistas e permitindo o acesso às filmagens de seu último longa, “Deus é Brasileiro 2”. A presença dele era esperada no festival para a estreia mundial, que ocorreu postumamente.

Cacá Diegues participou 12 vezes do Festival de Cannes, sendo oito como diretor, três como jurado e uma como produtor. Ele teve três filmes concorrendo à Palma de Ouro ao longo de sua carreira. A relação histórica com o festival foi destacada por Thierry Frémaux, diretor-geral do evento, como justificativa para a inclusão da obra na programação oficial de 2025.

O documentário apresenta 60 anos da carreira do cineasta, organizando cronologicamente trechos de seus filmes, entrevistas e registros recentes. Além de homenagear Diegues, o filme também oferece um panorama das últimas seis décadas do cinema brasileiro.

O título “Para Vigo Me Voy” faz alusão a uma frase do personagem de José Wilker em “Bye Bye Brasil”, filme de Cacá Diegues exibido em Cannes em 1980. A escolha do nome simboliza a conexão com a obra do cineasta e sua contribuição cultural.

Além do registro artístico, o documentário ressalta o papel político de Diegues. Ao longo de sua trajetória, ele defendeu a democracia no Brasil, o fortalecimento de um cinema nacional contínuo e políticas públicas voltadas ao audiovisual. Segundo Karen Harley, o diretor foi também um importante cronista e pensador brasileiro, comprometido com causas sociais e culturais.

O filme concorre ao prêmio Olho de Ouro, dedicado ao melhor documentário do festival. A premiação ocorre no dia 24 de maio. Além de “Para Vigo Me Voy”, outro filme brasileiro, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, disputa a Palma de Ouro, principal prêmio da mostra.

*Com informações da RFI.

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