A Polícia Federal (PF) informou, na quinta-feira (15/05/2025), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que localizou novas evidências da tentativa de golpe de Estado no final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material foi obtido após a análise do celular do agente da PF Wladmir Matos Soares, preso por ordem do próprio ministro em 2023.
De acordo com a PF, Wladmir Soares atuava como agente infiltrado durante o período de transição de governo e integrava a equipe de segurança que monitorava os arredores do hotel onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava hospedado em Brasília, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.
O conteúdo extraído inclui mensagens de áudio trocadas entre Wladmir e interlocutores próximos, nas quais ele relata envolvimento com o plano denominado “Punhal Verde-Amarelo”, que previa, segundo os investigadores, ações armadas contra autoridades, incluindo Lula e Alexandre de Moraes.
Comunicações interceptadas e declarações registradas
Nas mensagens analisadas, Wladmir expressa inconformismo com a ausência de apoio das Forças Armadas ao plano golpista e declara que estava disposto a participar de ações violentas. Em um dos trechos, ele diz: “A gente ia empurrar meio mundo de gente, pô. Matar meio mundo de gente”. Em outra gravação, afirma que aguardava uma autorização direta do então presidente para agir: “Esperávamos só o ok do presidente, uma canetada para a gente agir”.
Também foi identificado um áudio em que Wladmir afirma que estava preparado para prender o ministro Alexandre de Moraes: “A gente estava preparado pra isso, inclusive. Para ir prender o Alexandre Moraes”. Em outro ponto, ele critica a decisão do STF de barrar a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção da PF, dizendo que Moraes deveria ter tido “a cabeça cortada” naquela ocasião.
Descontentamento com Bolsonaro
As conversas revelam ainda o descontentamento do agente com a postura de Bolsonaro, que viajou aos Estados Unidos antes da posse de Lula, frustrando os planos dos conspiradores. Segundo Wladmir, “estava tudo certo, mas agora deu tudo pra trás”.
Na terça-feira (20/05/2025), a Primeira Turma do STF irá julgar se Wladmir Soares e outros 11 militares serão transformados em réus no processo que apura a tentativa de golpe. Eles compõem o núcleo 3 da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa os envolvidos de planejar ações táticas para efetivação da trama golpista.
A defesa de Wladmir Matos Soares foi procurada, mas ainda não se manifestou. O espaço permanece aberto para posicionamento.
*Com informações da Agência Brasil.








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