O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (05/05/2025) a imposição de tarifas de 100% sobre todos os filmes produzidos fora do país e exibidos em território norte-americano. A decisão foi justificada como uma ação para proteger a indústria cinematográfica nacional e preservar a segurança econômica e estratégica dos Estados Unidos.
De acordo com Trump, a indústria norte-americana estaria enfrentando um processo de esvaziamento causado por incentivos oferecidos por outros países para atrair grandes produções. Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que Hollywood e outras regiões produtoras nos EUA estão perdendo competitividade, e classificou a atual conjuntura como resultado de um “esforço coordenado por outras nações”.
A medida atinge diretamente filmes estrangeiros destinados ao mercado norte-americano, mas ainda não foram divulgados os critérios exatos de aplicação da tarifa, como em relação a produções exibidas apenas em plataformas digitais ou lançadas diretamente em mídia física. O governo não detalhou se haverá distinção entre filmes parcialmente rodados fora dos EUA e obras integralmente produzidas no exterior.
Entre os países mencionados por Trump como beneficiários dos incentivos estão Nova Zelândia, Tailândia, Hungria e África do Sul. A Nova Zelândia, em particular, foi citada como exemplo por sediar as filmagens do próximo longa da franquia “Avatar”, produzido por Disney e 20th Century Studios.
Setor emprega milhões de pessoas nos EUA
Segundo o governo norte-americano, o setor audiovisual emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas nos EUA, entre postos diretos e indiretos. Trump afirmou que a fuga de produções para o exterior representa risco à segurança econômica e ao desenvolvimento tecnológico da indústria local. A nova tarifa seria, portanto, parte de uma série de investigações em curso para avaliar o impacto de importações em setores estratégicos, como já feito em áreas como semicondutores e minerais críticos.
A reação internacional começou com a China, que no início de abril indicou que reduziria o número de filmes norte-americanos autorizados a serem exibidos em seu território. A medida é vista como resposta direta às políticas comerciais restritivas de Trump. Pequim controla o mercado cinematográfico por meio de cotas, e uma eventual limitação mais severa pode reduzir significativamente a receita dos grandes estúdios norte-americanos, uma vez que a China é o segundo maior mercado consumidor de cinema no mundo.
Setor questiona impactos e critérios de aplicação
Representantes da indústria audiovisual nos Estados Unidos expressaram incerteza sobre os efeitos práticos da medida. Ainda não se sabe como o governo vai regulamentar a tarifação sobre produções estrangeiras, especialmente aquelas voltadas para serviços de streaming como Netflix, Amazon Prime e Apple TV, que operam com conteúdos globais.
Desde seu retorno à presidência, Trump tem retomado uma agenda de proteção econômica que envolve a imposição de tarifas, restrições comerciais e revisões de acordos internacionais. A iniciativa sobre o setor audiovisual representa uma ampliação dessa estratégia, agora direcionada a um segmento tradicionalmente considerado símbolo da cultura e influência global dos EUA.
*Com informações da RFI.
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