O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial na China com foco na ampliação das relações diplomáticas e econômicas entre os dois países. A visita ocorre em meio à intensificação das disputas comerciais entre Estados Unidos e China, e é vista por analistas como uma tentativa do Brasil de fortalecer sua posição estratégica no cenário internacional.
Na segunda-feira (12/05/2025), Lula se reuniu com executivos chineses de grandes corporações, como Lei Zhang, da Envision Energy, e Cheng Fubo, da Norinco. As reuniões, realizadas no hotel em que o presidente está hospedado, tiveram como objetivo discutir investimentos em energia eólica, infraestrutura, tecnologia e setor automotivo. Ainda durante a segunda-feira, Lula participou de encontros com representantes de empresas da área de saúde e da cerimônia de encerramento do seminário Brasil-China, voltado para o setor empresarial.
Parceria econômica em expansão
Em 2023, o comércio bilateral entre Brasil e China alcançou US$ 160 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A China mantém-se como o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. As exportações brasileiras são concentradas em soja, óleos brutos, petróleo, minério de ferro e carne bovina. A visita atual tem como meta ampliar e diversificar essa pauta comercial.
Cúpula China-Celac e multilateralismo
Na terça-feira (13/05), Lula participa da IV Cúpula China-Celac, ao lado dos presidentes do Chile, Gabriel Boric, e da Colômbia, Gustavo Petro. O evento, promovido pela Associação de Cooperação Integral China-América Latina e Caribe, visa consolidar laços multilaterais com os países do Sul Global.
A China considera a América Latina como ator relevante no cenário multipolar. O vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Miao Deyu, afirmou que os países da região buscam construir caminhos autônomos e não devem servir como “quintal de outro país”, em alusão indireta aos Estados Unidos.
Encontros com autoridades chinesas e assinatura de acordos
Também na terça-feira, Lula se reúne com autoridades chinesas, incluindo o primeiro-ministro Li Qiang e o presidente da Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. A agenda será encerrada com uma reunião ampliada com o presidente Xi Jinping no Grande Palácio do Povo. Estão previstas assinaturas de ao menos 16 acordos bilaterais, abrangendo áreas como comércio agrícola, tecnologia e mineração.
Contexto geopolítico e estratégia Sul-Sul
A visita ocorre no contexto de retomada do mandato presidencial de Donald Trump nos Estados Unidos e do acirramento da guerra comercial com a China. Analistas apontam que o Brasil busca consolidar-se como parceiro estratégico de Pequim, tanto no comércio quanto em plataformas multilaterais.
O professor Luis Antonio Paulino, da Unesp, afirma que o encontro fortalece a política externa brasileira ao reafirmar as relações Sul-Sul e pode abrir novas frentes de cooperação em setores ainda não explorados pela parceria.
Rota da Seda e nova fase da cooperação
A possibilidade de o Brasil integrar a Iniciativa Cinturão e Rota, proposta pela China em 2013, foi debatida por representantes dos dois países. Mais de 20 países da América Latina já aderiram ao projeto. Para o pesquisador Gustavo Alejandro Cardozo, do Observa China, a inclusão do Brasil nesse plano pode impulsionar investimentos e aprofundar os vínculos diplomáticos.
Cardozo destaca que os setores prioritários para a cooperação são agricultura, tecnologia da comunicação e mineração, considerados estratégicos para ambos os lados. Ele avalia que a atual conjuntura internacional abre espaço para o Brasil assumir papel central nas alianças econômicas do Sul Global.
*Com informações da RFI, Sputnik News e Agência Brasil.











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