Unidades de conservação no Amapá não impedem prospecção de petróleo, afirma ministra Marina Silva

Ministra do Meio Ambiente esclarece que exploração na Margem Equatorial depende de licenciamento ambiental.
Ministra do Meio Ambiente esclarece que exploração na Margem Equatorial depende de licenciamento ambiental.

Em audiência na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado, nesta terça-feira (27/05/2025), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que a criação de unidades de conservação (UCs) no Amapá não impede a pesquisa e a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Segundo ela, essas atividades continuam condicionadas ao licenciamento ambiental, como ocorre em qualquer outro território.

De acordo com Marina Silva, o pedido para criação dessas UCs existe desde 2005 e não foi elaborado para inviabilizar a exploração de petróleo na região. A ministra esclareceu que as unidades têm como objetivo preservar os meios de vida de aproximadamente 24 mil pessoas, incluindo comunidades tradicionais, indígenas e pescadores.

Debate sobre impacto econômico

O senador Lucas Barreto (PSD-AP), autor do requerimento para a audiência, criticou a criação de quatro unidades de conservação, que somam 1,3 milhão de hectares no Amapá. Ele destacou que 74% do território do estado já é área protegida, restando apenas 11% liberado para atividades econômicas.

Para Barreto, a expansão das UCs compromete o desenvolvimento econômico do estado, mesmo sem impedir diretamente a prospecção de petróleo. O parlamentar defendeu a exploração dos recursos naturais da costa amapaense como forma de gerar emprego e renda.

Processo de criação das UCs

Marina Silva explicou que a criação de uma unidade de conservação segue um processo estruturado, com etapas que incluem planejamento, consulta pública e participação do governo estadual. Segundo ela, o projeto atual prevê que duas das quatro UCs sejam federais e duas estaduais, construídas em parceria com o governo do Amapá.

A ministra ressaltou que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) suspendeu a última audiência pública devido à crescente resistência local, mas o processo permanece ativo.

Questionamentos dos senadores

O senador Esperidião Amin (PP-SC) questionou a falta de consulta pública, argumento refutado pela ministra, que reafirmou a realização de audiências públicas como parte obrigatória do processo.

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) destacou que 84% da Amazônia Legal estão preservados e questionou as restrições para atividades econômicas na região, alegando que isso prejudica a qualidade de vida das populações locais.

Dados sobre desmatamento

O presidente da Comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), solicitou a apresentação de documentos que comprovem a redução do desmatamento, citando o aumento de incêndios em 2024. Marina Silva respondeu que os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do MapBiomas, indicando uma redução de 32% no desmatamento nacional e de 46% na Amazônia, em comparação com 2022.

A ministra informou ainda que o Brasil possui cerca de 80 milhões de hectares de áreas degradadas, das quais uma parte pode ser recuperada para uso produtivo ou para restauração ambiental. Segundo ela, é possível zerar o desmatamento por meio de aumento da produtividade, sem expansão da fronteira agrícola.

*Com informações da Agência Senado.


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