Alta Representante da União Europeia alerta para risco de conflito regional com eventual ação militar dos EUA contra o Irã

A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, alertou nesta terça-feira (17/06/2025) que uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos no conflito entre Israel e Irã poderia provocar o alastramento da guerra por todo o Oriente Médio. A declaração ocorreu após reunião virtual com os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

Em entrevista coletiva, Kallas afirmou que “quando os Estados Unidos se envolverem, isso arrastará definitivamente a região para um conflito mais amplo”, reforçando que tal cenário “não é do interesse de ninguém”. O posicionamento europeu surge em resposta às declarações do presidente Donald Trump, que admitiu a possibilidade de ação militar direta caso tropas americanas sejam atacadas.

Durante entrevista à ABC News no último domingo, Trump afirmou:

“Não estamos envolvidos no assunto. É possível que nos envolvamos. Mas, neste momento, não estamos envolvidos.”

Mais tarde, o presidente acrescentou que os Estados Unidos agiriam “sem luvas” caso o Irã atacasse suas tropas.

Kallas também mencionou diálogo com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na segunda-feira (16), em que, segundo ela, o representante norte-americano reiterou que o país não deseja ser arrastado para o conflito.

UE reafirma posição contrária ao uso da força e defende solução diplomática

A Alta Representante sublinhou que a União Europeia mantém pressão por uma solução diplomática e defende o encerramento imediato das hostilidades. A preocupação europeia está centrada nos riscos de escalada, danos colaterais e erros de cálculo, que, segundo Kallas, tornam o cenário ainda mais instável.

Ela também rebateu a declaração de Trump de que deseja um “fim real” para o conflito, e não apenas um cessar-fogo. Para Kallas, o foco deve permanecer no acordo nuclear de 2015, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), que visava manter o programa nuclear iraniano com fins exclusivamente pacíficos.

Na última semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) concluiu que o Irã descumpre, pela primeira vez em 20 anos, suas obrigações de não-proliferação nuclear. Em resposta, Kallas destacou:

“Não podemos ser indulgentes quando o Irã acelera o seu programa nuclear.”

União Europeia coordena evacuação e mantém presença no Mar Vermelho

Durante a reunião com os chanceleres europeus, foi ativado o Mecanismo de Proteção Civil da UE, para facilitar a evacuação de cidadãos europeus em regiões de risco. Kallas observou que “nem todos os Estados-membros possuem aeronaves disponíveis para executar a operação, por isso a UE está coordenando os esforços”.

Ela também mencionou a atuação da operação naval ASPIDES, que permanece ativa no Mar Vermelho, com foco na proteção de embarcações comerciais contra ataques dos Houthis e no monitoramento da situação regional.

Ajuda humanitária para Gaza e revisão do acordo com Israel

A Alta Representante afirmou que a União Europeia continuará pressionando por acesso imediato e irrestrito à ajuda humanitária na Faixa de Gaza, que tem sido severamente restringida por Israel. No entanto, ela não antecipou como os recentes ataques de Israel ao Irã podem impactar a revisão do Acordo de Associação UE-Israel, atualmente em discussão.

Pressão sobre o petróleo russo e tensões no mercado

Questionada sobre o impacto da crise no Oriente Médio na proposta da Comissão Europeia de reduzir o teto de preços do petróleo russo de 60 para 45 dólares por barril, Kallas defendeu que o bloco europeu avance mesmo sem o apoio imediato dos Estados Unidos.

“Devemos seguir com o limite máximo, especialmente devido às tensões no Oriente Médio. Caso os preços subam, a Rússia lucrará mais e financiará sua máquina de guerra”, afirmou.

A medida integra o 18º pacote de sanções contra a Rússia, que visa restringir fontes de financiamento para a guerra na Ucrânia. O teto de preço, originalmente pactuado com o G7, ainda aguarda consenso entre os aliados.

Rússia é rejeitada como mediadora

Kallas também rejeitou a sugestão de que a Rússia poderia atuar como mediadora no conflito entre Israel e Irã, alegando falta de credibilidade do país após a invasão da Ucrânia.

“A Rússia não pode ser um mediador se não acredita realmente na paz”, declarou.

¨Com informações da Euro News.


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