Segunda-feira, 09/06/2025 — Uma pesquisa nacional encomendada pela BrasilTEC – Associação Fórum Nacional das Mantenedoras de Instituições de Educação Profissional e Tecnológica e realizada pela AtlasIntel revelou que 83,8% dos brasileiros defendem que o governo federal ofereça cursos técnicos e profissionalizantes para todos os estudantes da rede pública. O levantamento foi conduzido entre os dias 10 e 15 de abril de 2025, com 1.620 entrevistas em todas as regiões do Brasil.
A pesquisa aponta que o ensino técnico é percebido como o caminho mais direto para o emprego, geração de renda e estímulo ao empreendedorismo. Segundo os dados, mais de 60% dos entrevistados que realizaram ou pretendem realizar cursos técnicos o fazem com o objetivo de melhorar sua posição no mercado de trabalho.
Cleonice Rehem, presidente da BrasilTEC, destaca que o setor privado está pronto para colaborar com o poder público na ampliação da oferta:
“O ensino técnico e o ensino livre são importantes, desejados e têm impacto direto na vida das pessoas e na economia. Estamos prontos para contribuir.”
A percepção social se alinha a uma necessidade do setor produtivo. Um levantamento paralelo da ManpowerGroup indica que 81% das empresas no Brasil enfrentam dificuldades para preencher vagas técnicas devido à escassez de profissionais qualificados.
Obstáculos à expansão do ensino técnico
Entre os principais desafios para a adesão à formação técnica, os entrevistados apontaram:
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Falta de tempo
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Dificuldades financeiras
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Ausência de informação sobre os cursos disponíveis
A pesquisa também identificou as áreas de maior interesse:
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Tecnologia da Informação (TI)
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Saúde
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Negócios
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Indústria
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Estética
Esse recorte reforça a importância de políticas públicas que não apenas ampliem a oferta, mas também considerem acessibilidade, flexibilidade de horários e estratégias de divulgação para atingir os públicos interessados.
Educação profissionalizante na Bahia: modelo de parceria com o setor privado
Na Bahia, o Grau Educacional – grupo que reúne as instituições Grau Técnico e Grau Profissionalizante – exemplifica a contribuição do setor privado para a formação profissional de jovens e adultos. Com cursos nas áreas de saúde, gestão, tecnologia, estética, gastronomia, entre outras, a rede possui ampla capilaridade no estado e no país.
Segundo Paulo Marques, gestor das unidades do Grau Educacional Plataforma e Fonte Nova, a experiência baiana demonstra o papel transformador da educação técnica:
“A Bahia tem abraçado a educação técnica como ferramenta de transformação social. Defendemos políticas públicas que ampliem o acesso, sobretudo nas periferias e municípios do interior.”
O Grau Educacional mantém atualmente:
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138 unidades no Brasil
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Mais de 180 mil alunos ativos
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Mais de 870 mil matrículas acumuladas
Urgência estrutural e papel do Estado
A pesquisa da BrasilTEC escancara uma lacuna histórica na política educacional brasileira, que sempre relegou o ensino técnico a segundo plano frente ao ensino superior acadêmico. A ampla aceitação popular pela educação profissionalizante mostra um alinhamento entre demanda social e necessidade econômica nacional, especialmente em um cenário de desemprego estrutural entre jovens e crescente automação do mercado de trabalho.
A ausência de uma política pública robusta e contínua para o setor compromete a capacidade do país de responder aos desafios da produtividade, da competitividade internacional e da inclusão socioeconômica. Trata-se, portanto, de um ponto estratégico da agenda de desenvolvimento nacional.











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