A escalada do conflito entre Israel e Irã atingiu novo patamar nesta terça-feira (17/06/2025) com o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exigiu a “rendição incondicional” de Teerã e anunciou o envio de mais caças e aviões de guerra para reforçar a presença americana no Oriente Médio. A ofensiva israelense, iniciada na sexta-feira, já provocou centenas de mortes e comprometeu instalações estratégicas do programa nuclear iraniano.
Trump ameaça, mas sinaliza diplomacia
Em declaração na rede Truth Social, Trump escreveu:
“Sabemos exatamente onde o chamado ‘Líder Supremo’ está escondido. Não vamos matá-lo, pelo menos não por enquanto… Nossa paciência está se esgotando.”
Minutos depois, postou apenas: “RENDIDA INCONDICIONAL!”
Embora o tom ameaçador reforce a pressão sobre o Irã, o presidente norte-americano sinalizou abertura para a via diplomática. Ele mencionou que poderia designar o enviado especial Steve Witkoff ou o vice-presidente J.D. Vance para negociações no Oriente Médio. Trump também declarou que sua saída antecipada da cúpula do G7 no Canadá “não tinha nada a ver” com o conflito, mas prometeu “algo muito maior”.
Segundo Vance, a decisão sobre novas ações para interromper o programa nuclear do Irã está sob deliberação do presidente:
“Cabe, em última análise, ao presidente avaliar se medidas mais contundentes serão necessárias para frear o enriquecimento de urânio.”
Supremacia aérea e danos às instalações nucleares
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou que Israel obteve “controle do espaço aéreo iraniano”, considerando o feito um “divisor de águas” na campanha militar. O conselheiro de segurança nacional de Israel, Tzachi Hanegbi, afirmou que os pilotos agora têm liberdade para operar “contra inúmeros alvos em Teerã”, resultado da destruição de dezenas de baterias de defesa aérea.
Israel atacou diretamente as instalações subterrâneas de Natanz, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Também houve registros de bombardeios em Isfahan, Teerã e áreas próximas à base nuclear de Bushehr, onde, segundo o site iraniano Eghtesadonline, um estrangeiro foi detido sob acusação de espionar para o Mossad.
A guarda revolucionária iraniana respondeu afirmando ter atacado a Diretoria de Inteligência Militar de Israel e o centro operacional do Mossad, sem confirmação israelense até o momento.
Perdas estratégicas e crise de comando no Irã
Fontes consultadas pela Reuters revelaram que os principais conselheiros militares do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foram mortos por ataques israelenses. Entre eles, estavam:
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Hossein Salami, comandante da Guarda Revolucionária
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Amir Ali Hajizadeh, chefe do programa de mísseis balísticos
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Mohammad Kazemi, chefe do setor de espionagem
Essas baixas comprometem o círculo íntimo de Khamenei e aumentam o risco de decisões estratégicas equivocadas. Um conselheiro, sob anonimato, declarou:
“O risco de erro de cálculo é extremamente perigoso. As decisões estratégicas estão sendo tomadas sem os principais quadros militares.”
Em resposta, o comando cibernético do Irã proibiu o uso de celulares e dispositivos de comunicação entre autoridades. A mídia estatal informou que Israel conduziu uma ofensiva cibernética maciça contra a infraestrutura digital do país.
Impacto na população e êxodo internacional
Mais de 600 estrangeiros de 17 nacionalidades cruzaram a fronteira do Irã para o Azerbaijão desde sexta-feira, informou uma fonte do governo azeri. A Índia evacuou 110 cidadãos via Armênia, e o Kremlin agradeceu formalmente a Baku pela assistência aos russos em fuga. O porta-voz russo Dmitry Peskov afirmou:
“Nossos amigos azerbaijanos estão oferecendo as condições mais favoráveis, pelas quais somos muito gratos.”
Um americano entrevistado pela TV estatal do Azerbaijão relatou:
“Há longas filas nos postos de gasolina e falta combustível. É assustador. Ainda não consigo acreditar que consegui sair.”
Estratégia regional e desafios táticos
Apesar do êxito aéreo, especialistas apontam limitações estratégicas. Segundo Andreas Krieg, do King’s College London:
“Israel alcançou muitos sucessos táticos, mas transformar isso em vitória estratégica exigirá mais do que poder aéreo.”
A instalação nuclear de Fordow, localizada sob uma montanha, continua intacta. Autoridades israelenses admitem que somente com apoio de bombardeiros estratégicos dos EUA seria possível neutralizá-la. Ainda assim, fontes indicam que comandos do Mossad destruíram defesas antiaéreas iranianas no início da ofensiva.
A correspondente Emily Harding, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, afirmou:
“Israel deu fortes indícios de que possui maior capacidade do que se acreditava, operando com liberdade sobre alvos prioritários.”
Israel já recebeu uma remessa extraordinária de bombas bunker-buster dos EUA, segundo reportagens da emissora pública Kan.
Consequências geopolíticas e futuro do conflito
Desde os ataques do Hamas a Israel em 07/10/2023, o Irã perdeu aliados estratégicos. O presidente sírio Bashar al-Assad foi deposto em dezembro de 2024 e o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, foi morto por Israel no ano passado.
Agora, o aiatolá Khamenei, de 86 anos, depende cada vez mais do filho, Mojtaba Khamenei, descrito como figura central na coordenação política e militar. Seu gabinete, segundo fontes iranianas, tenta manter influência direta sobre todos os órgãos estatais, mesmo diante do isolamento diplomático e das sanções econômicas.
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