Congresso derruba veto do presidente Lula e medida pode gerar impacto de R$ 525 bilhões na conta de luz até 2040

O Congresso Nacional derrubou nesta semana vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a dispositivos inseridos no marco legal da geração de energia eólica offshore. A medida, segundo cálculo do governo federal divulgado nesta sexta-feira (20/06/2025), poderá gerar um impacto acumulado de R$ 525 bilhões nas tarifas de energia até 2040, com incremento estimado de R$ 35,1 bilhões ao ano para os consumidores.

O projeto sancionado por Lula originalmente continha vetos a emendas parlamentares que, segundo o Executivo, excediam o escopo do texto principal, que trata da regulamentação da geração de energia eólica em alto-mar. Com a derrubada dos vetos, as medidas adicionadas passam a ter efeito de lei, gerando obrigações legais de contratação de fontes específicas de energia.

Principais impactos da derrubada dos vetos

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), os dispositivos reintegrados ao texto provocarão os seguintes encargos:

  • Contratação obrigatória de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs): impacto estimado em R$ 12,4 bilhões.

  • Compra de hidrogênio líquido derivado de etanol e energia eólica: custo aproximado de R$ 1,4 bilhão.

  • Prorrogação por 20 anos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa): impacto de R$ 600 milhões.

  • Realização de leilões para contratação de térmicas a gás sem demanda identificada: custo previsto de R$ 20,6 bilhões.

Esses valores, somados ao longo dos próximos 15 anos, representam um impacto tarifário significativo para os consumidores residenciais, comerciais e industriais.

Riscos para o setor e para o mercado de energia renovável

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e entidades ligadas ao setor elétrico demonstraram preocupação com a medida. Segundo nota técnica da agência, a obrigatoriedade de contratação de determinadas fontes, sem considerar critérios técnicos de demanda ou custo-benefício, pode comprometer a eficiência econômica do sistema elétrico nacional.

Para a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a insegurança regulatória gerada pela ampliação de subsídios fora do escopo original poderá desestimular investimentos privados em projetos de eólicas offshore, justamente o setor que a legislação pretendia fomentar.

Desequilíbrio na matriz e risco fiscal

A medida aprovada pelo Congresso evidencia um descompasso entre interesses regionais e a lógica técnico-econômica do setor energético brasileiro. A inclusão de dispositivos que favorecem segmentos específicos, sem lastro em demanda efetiva, configura um risco não apenas à modicidade tarifária, mas também à estabilidade fiscal no longo prazo.

A obrigatoriedade de contratação sem competitividade — como no caso de térmicas a gás e PCHs — distorce o planejamento energético nacional, reduzindo a eficiência na expansão da matriz e impactando negativamente a previsibilidade de custos para consumidores e investidores.

Além disso, a decisão fragiliza o próprio conceito de política pública baseada em evidências, subordinando o planejamento energético a arranjos político-parlamentares com efeitos financeiros bilionários e pouco transparentes para a sociedade.

Veto nº 3/2025: Marco Regulatório de Energia “Offshore”

Detalhamento da votação conjunta do Veto nº 3/2025 (PL 576/2021), relativo ao dispositivo 03.25.021 — inciso IV do caput do art. 23 da Lei 14.182/2021 — ocorrida em 17 de junho de 2025:

Resultado da sessão conjunta (Câmara + Senado, tipo cédula eletrônica)

  • Senado Federal

    • Sim (Manter o veto): 9

    • Não (Derrubar o veto): 57

    • Abstenções: 1

    • Brancos: 1

    • Total de votos: 68

  • Câmara dos Deputados

    • Sim (Manter o veto): 65

    • Não (Derrubar o veto): 385

    • Abstenções: 5

    • Brancos: 5

    • Total de votos: 460

  • Resultado geral: o veto foi rejeitado — ou seja, a maioria derrubou o veto presidencial.

Detalhamento sintético por Casa:

Senado Federal

Maioria expressiva votou contra o veto. Exemplo:

  • MDB (todos os 10 integrantes): Votaram “Não” (derrubar veto)

  • Outros partidos (NOVO, PL, PDT, PSD etc.) com pequenas exceções, conta geral reforçando o placar desfavorável ao veto

Câmara dos Deputados

Com 460 parlamentares presentes, 385 votaram contra (derrubada), contra 65 a favor (manutenção).

Contexto e consequências

Com a derrubada, restabeleceram-se as regras que permitem aos empreendimentos (PCHs, biomassa, eólicas) que optarem pela prorrogação de seus contratos manter o direito aos descontos previstos no § 1º do art. 26 da Lei 9.427/96, assim como os demais subsídios prorrogáveis por até 20 anos

Conclusão firme e direta: os parlamentares, em grande maioria, posicionaram-se contra o veto — 57 senadores e 385 deputados votaram para derrubá-lo, confirmando a rejeição do dispositivo vetado.

Se desejar um detalhamento por partido, estado ou lista completa de votos, basta solicitar.


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