Na terça-feira (17/06/2025), o Congresso Nacional realizou uma sessão deliberativa marcada por decisões significativas. Foram analisados 34 vetos presidenciais do Governo Lula 3, criadas duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e aprovada uma nova resolução para rastreabilidade de emendas parlamentares coletivas. A sessão também definiu o adiamento de 26 vetos por acordo entre as lideranças partidárias. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou:
“Nós teremos, teoricamente, até o dia 17 de julho para fazermos mais uma sessão do Congresso e iniciarmos o recesso parlamentar (…) A decisão desta Presidência é que possamos fazer e sanar todos os vetos que estão na Ordem do Dia na próxima sessão”.
CPIs do INSS e do Crime Organizado são criadas
CPMI do INSS: Após requerimento da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), o Congresso criou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar descontos ilegais em benefícios previdenciários do INSS. Com 223 assinaturas de deputados e 36 de senadores, a CPMI será composta por 15 deputados e 15 senadores, com igual número de suplentes, e prazo de funcionamento de 180 dias. O objeto central é apurar o desvio estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Segundo Damares, “investigar e punir os responsáveis é essencial para garantir justiça a essas pessoas e evitar novas violações”.
CPI do Crime Organizado: Proposta pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a CPI visa investigar a atuação de facções e milícias no Brasil. A comissão contará com 11 membros titulares e 7 suplentes, com prazo de 120 dias. O foco estará no modus operandi, na estrutura financeira e na infiltração de organizações criminosas no setor público, propondo eventuais alterações legislativas.
“O crime organizado no Brasil está inserido em atividades econômicas relevantes e também na estrutura pública brasileira”, declarou o senador.
“Se fizermos um trabalho sóbrio e equilibrado, entregaremos a CPI mais relevante dos últimos anos”.
Vetos derrubados: Zika, aposentados e reforma tributária
Entre os principais vetos derrubados, destacam-se:
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VET 2/2025: Restabelece o PL 6.064/2023, que garante indenização de R$ 50 mil e pensão mensal vitalícia de R$ 7.786,02 a vítimas do Zika vírus. A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), autora da proposta, disse: “O projeto foi protocolado em 2015 porque estamos falando de uma omissão do Estado. É uma reparação devida há anos”;
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VET 38/2024: Garante dispensa de reavaliação periódica para aposentados por incapacidade permanente;
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VET 7/2025: Retira fundos de investimentos privados e patrimoniais da tributação do IBS e CBS, previstos na reforma tributária;
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VET 3/2025: Prorroga por 20 anos subsídios para pequenas centrais hidrelétricas, usinas de biomassa e eólicas, vinculadas ao Proinfa. A decisão, segundo os congressistas, busca assegurar a estabilidade de contratos e fomentar fontes alternativas de energia.
Outros vetos derrubados incluem temas como licitações, autocontrole agropecuário, agrotóxicos, mobilidade verde e pesquisas com seres humanos. O senador Dr. Hiran (PP-RR), defensor do marco legal das pesquisas clínicas, declarou:
“Estamos derrubando um veto fundamental. A regulamentação atrairá investimentos e garantirá acesso a tratamentos de ponta”.
Vetos mantidos e vetos adiados
Foram mantidos vetos como:
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VET 41/2024: Dispositivos da Lei 15.047/2024 sobre punições a policiais civis e federais;
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VET 36/2024: Exigência de dotação orçamentária para aporte ao Fundo Garantidor de Operações (FGO);
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VET 40/2024: Classificação de animais como “de entretenimento”. Segundo o governo, essa classificação “destoava do escopo geral da lei, que trata apenas dos animais de estimação”.
Entre os vetos adiados, destacam-se:
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VET 4/2025: Reconhecimento da diabetes tipo 1 como deficiência;
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VET 10/2024: Incentivo fiscal a jogos eletrônicos nacionais;
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VET 7/2025: Diversos pontos da regulamentação da reforma tributária.
Congresso aprova ajustes em emendas coletivas para atender STF
Foi aprovado o PRN 3/2025, projeto de resolução que visa aumentar a transparência e a rastreabilidade das emendas coletivas. As alterações foram exigidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 854, relatada pelo ministro Flávio Dino. Segundo Dino, a Resolução 1/2025 aprovada anteriormente era “insuficiente para garantir controle adequado sobre a destinação de recursos públicos”.
As novas regras preveem:
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Solicitação formal para alteração de beneficiários ou finalidade das emendas;
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Vedação à individualização de indicação em bancadas estaduais;
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Destinação preferencial para obras inacabadas nas emendas PIX;
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Requisitos para repasse de recursos a entidades privadas, como comprovação de funcionamento contínuo e prestação de contas.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) alertou: “Se o líder da bancada continuar sendo laranja de todo mundo, para continuar essas negociatas, não está valendo”. Já o senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou o avanço do Legislativo sobre a execução orçamentária:
“É um desvio de função explícito. Criamos uma jabuticaba onde parte expressiva do orçamento vai para a mão do Parlamento”.
Confira dados das votações do Congresso Nacional
Vetos Derrubados
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VET 2/2025: Indenização de R$ 50 mil + pensão vitalícia de R$ 7.786,02 para vítimas do Zika vírus.
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VET 38/2024: Dispensa de reavaliação para aposentados por incapacidade permanente.
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VET 7/2025: Exclusão de fundos de investimento da tributação do IBS/CBS.
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VET 3/2025: Prorrogação de 20 anos dos subsídios a PCHs, biomassa e eólicas (Proinfa).
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Outros: Vetos sobre licitações, autocontrole agropecuário, mobilidade verde, pesquisas com seres humanos, entre outros.
Vetos Mantidos
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VET 41/2024: Regime disciplinar da PF e PCDF – punições mais severas mantidas.
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VET 36/2024: Retirada de exigência de dotação orçamentária para o FGO.
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VET 40/2024: Rejeição da classificação de animais como “de entretenimento”.
Vetos Adiados
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VET 4/2025: Classificação da diabetes tipo 1 como deficiência.
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VET 10/2024: Incentivo fiscal aos jogos eletrônicos nacionais.
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VET 7/2025: Dispositivos pendentes da regulamentação da reforma tributária.
Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs)
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CPMI do INSS:
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Assinaturas: 223 deputados + 36 senadores.
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Composição: 15 deputados + 15 senadores (e respectivos suplentes).
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Objeto: Desvios de R$ 6,3 bilhões (2019–2024).
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Prazo: 180 dias.
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CPI do Crime Organizado:
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Autor: Senador Alessandro Vieira.
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Composição: 11 titulares + 7 suplentes.
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Objeto: Facções, milícias e infiltração no setor público.
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Prazo: 120 dias.
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Emendas Parlamentares Coletivas (PRN 3/2025)
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Exigências aprovadas:
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Pedido formal para alteração de beneficiário ou finalidade.
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Proibição de individualização em bancadas estaduais.
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Obras inacabadas como prioridade nas emendas PIX.
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Requisitos rígidos para entidades privadas (funcionamento, prestação de contas etc.).
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Contexto jurídico: Exigência do STF (ADPF 854), relatoria de Flávio Dino.
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Citações críticas:
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Adriana Ventura: “Se continuar sendo laranja, não está valendo”.
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Eduardo Girão: “Desvio de função explícito do Parlamento”.
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