Eleições de 2026 devem marcar avanço dos povos indígenas na política, afirma secretária do Pará

A secretária de Estado dos Povos Indígenas do Pará, Puyr Tembé, afirmou que as eleições de 2026 representarão uma transformação na participação dos povos indígenas na política brasileira. A declaração foi feita durante entrevista à ONU News, em abril, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Avanço na participação política dos povos indígenas

Segundo Puyr Tembé, a presença de indígenas nas eleições de 2026 será reflexo de um processo de fortalecimento político iniciado nos últimos anos. Ela destacou o crescimento das candidaturas indígenas, especialmente femininas, nas eleições municipais anteriores.

“Eu acho que em 2026, a gente vai surpreender o Brasil. Os povos indígenas vão surpreender e a gente mostra isso positivamente nas últimas eleições, com quantas candidaturas de mulheres indígenas saíram a prefeitas, a vices, a vereadoras. É possível estar no Legislativo, no Executivo e construir um país com nossa participação e protagonismo”, declarou.

Formação de lideranças indígenas femininas

Durante a entrevista, Puyr Tembé explicou que sua trajetória está diretamente ligada ao programa “Voz das Mulheres Indígenas”, desenvolvido pela ONU Mulheres, que formou diversas lideranças no Brasil. Entre os nomes estão a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e a deputada federal Célia Xakriabá.

“Nós éramos 15 mulheres naquele projeto e daquele projeto nasceram sonhos e esperanças que foram realizados. A gente fundou a Anmiga – Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade –, que tem como pauta ocupar espaços de decisão e construir políticas públicas que atendam nossas comunidades”, destacou.

Desafios e resistência no cenário político

Puyr relatou que assumir o cargo de secretária não foi uma decisão fácil, principalmente pelos desafios enfrentados, como racismo estrutural, preconceito e violência psicológica. Mesmo assim, reforçou que a resistência das mulheres indígenas tem sido fundamental para avançar na ocupação de espaços de poder.

“Eu não me considerava preparada, mas aceitei o desafio porque desde 2007 os povos indígenas do Pará demandavam essa secretaria. A coragem de levantar todos os dias, apesar dos preconceitos, é o que nos move”, afirmou.

Expansão das secretarias indígenas na Região Norte

Atualmente, todos os sete estados da Região Norte possuem secretarias ou departamentos voltados para os povos indígenas. Nos últimos anos, Pará, Roraima, Tocantins, Acre e Rondônia se juntaram a Amazonas e Amapá, que já possuíam essas pastas.

Puyr reforçou que o objetivo é consolidar políticas públicas que sejam permanentes, independentemente das mudanças de governo, e que sirvam como referência para as futuras gerações indígenas.

*Com informações da ONU News.


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