EUA: Toque de recolher é decretado em Los Angeles após protestos contra batidas anti-imigrantes

A prefeita Karen Bass decretou toque de recolher noturno em Los Angeles, em meio a protestos contra ações do governo federal voltadas à repressão de imigrantes ilegais, marcados por episódios de vandalismo e confrontos com a polícia. A medida entrou em vigor às 20 horas de terça-feira (10/06/2025) e se estende até as 6h desta quarta-feira (11/06), com o objetivo de conter novos episódios de violência no centro da cidade.

A polícia local confirmou a prisão de 25 pessoas por descumprirem o toque de recolher, durante o quinto dia consecutivo de manifestações. A prefeita justificou a decisão citando danos a estabelecimentos comerciais e propriedades públicas. Segundo ela, 23 lojas foram saqueadas na noite anterior, e pichações se espalham por diversos pontos da cidade.

Protestos tiveram início na sexta-feira (06/06), em resposta às batidas do ICE (Agência Federal de Imigração e Alfândega) contra imigrantes indocumentados. A cidade, que possui uma das maiores populações hispânicas dos Estados Unidos, tornou-se epicentro de um embate político entre o presidente Donald Trump e autoridades democratas da Califórnia.

Reforço militar federal amplia tensão com o governo estadual

Na terça-feira (10/06), o presidente Donald Trump autorizou o envio de 700 fuzileiros navais para Los Angeles, mesmo sem o consentimento do governo estadual. A tropa se junta aos 4.000 reservistas da Guarda Nacional já mobilizados. O objetivo declarado é proteger agentes do ICE e instalações federais, mas a decisão gerou críticas de líderes democratas e especialistas em segurança nacional.

O governador Gavin Newsom classificou a mobilização como “abuso de poder” e anunciou que o estado entrará com ação judicial contra o governo federal, por violação constitucional. Segundo ele, o envio da tropa representa “escalada sem precedentes” e pode comprometer a segurança pública, considerando que fuzileiros navais não são treinados para atuar em segurança urbana.

Protestos se espalham por outras cidades norte-americanas

Manifestações semelhantes ocorreram em outras regiões do país. Em Nova York, milhares marcharam no sul de Manhattan. Em Santa Ana, na Califórnia, e em Austin, no Texas, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os protestos. O governo do Texas, sob comando do governador Gregg Abbott, enviou sua própria Guarda Nacional para controlar atos em cidades com alta presença latina.

Críticas e apoio dividem a população

O envio dos militares dividiu opiniões. Líderes democratas e defensores dos direitos civis acusam o presidente de utilizar o aparato militar para fins políticos. Em contrapartida, parte da população e empresários afetados por vandalismo manifestaram apoio às medidas federais, apontando a necessidade de restabelecer a ordem.

Trump mantém posição firme e ameaça invocar a Lei da Insurreição

Durante pronunciamento em uma base militar, o presidente afirmou que a mobilização continuará “até que o perigo passe” e ameaçou invocar a Lei da Insurreição, que autoriza o uso das Forças Armadas em território nacional em situações emergenciais. O Pentágono estima o custo da operação em US$ 134 milhões.

*Com informações da RFI.


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